Como define o dicionário Oxford de Filosofia, a filosofia da linguagem é o nome dado à tentativa geral de compreender os componentes de uma linguagem efetivamente usada, a relação que o locutor discernente tem como elementos e a relação que estes têm com o mundo.

Tomando como base a definição acima podemos elucidar essa definição por meio da história dessa disciplina, cuja periodização tomaremos de empréstimo da professora Silvia Faustino, que propõe a seguinte divisão:

  1. Período Aristotélico e Platônico
  2. A lógica de Port-Royal
  3. O primeiro Wittgenstein
  4. Segundo Wittgenstein

Pois bem, o primeiro período se caracteriza pela presença ontológica das proposições, por meio do discurso que enuncia o ser, que visa atingir a compreensão da verdade por meio da linguagem em relação aos fatos reais, ou seja, para que o enunciado de algo seja verdadeiro ou não verdadeiro é necessário que esta proposição tenha validade na natureza. Deste modo há relação entre a linguagem e a natureza.

Para haver um discurso enunciativo é preciso haver um entrelaçamento dos termos entre os entes na realidade: Crátilo anda: entrelaçamento entre o indivíduo e a ação. Crátilo não anda: negação entre o entrelaçamento dos entes. O discurso é articulado e tem como função enunciar uma declaração que diz o que as coisas são ou não são, porém, o discurso enunciado é falso quando diz que algo é verdadeiro quando ele é falso e vice-versa.

O sentido da proposição: “Maria anda” é compreensível, mesmo sendo ela verdadeira ou não.

O segundo período é conhecido como a lógica de Port Royal.

Segundo a Lógica de Port Royal, há quatro operações do espírito:

  1. Conceber
  2. Julgar (Juízos)
  3. Raciocinar (Raciocínio)
  4. Ordenar

Para a filosofia de Port Royal, a filosofia da linguagem deve se ocupar da linguagem (palavras), pensamento (ideias) e realidade (coisas). A lógica de Port Royal foi responsável pela confusão entre lógica e epistemologia.

Por fim, Silvia Faustino nos apresenta as duas fases de Wittgenstein. Na primeira fase, o filósofo, no livro Tractatus, defende a ideia de que apenas as proposições enunciativas da ciência natural são validas, enquanto os demais enunciados, tais como aqueles do plano da Religião e da Ética são considerados sem sentido.

No segundo Wittgenstein, na obra Investigações Filosóficas, o autor insere novas concepções sobre a linguagem e a lógica. A partir desta obra, Wittgenstein insere o conceito de “jogos de linguagem”, substituindo com isso a noção de que a linguagem é um modelo fixo de representação do mundo pela noção que essa mesma linguagem deve ser analisada de modo contextual e pragmático, uma vez que ela depende de fatores antropológicos inseridos no plano sócio-cultural.

Tendo em vista todo o aporte teórico elucidado acima, podemos deduzir que a filosofia da linguagem é, de fato, ampla e complexa no tocante à análise e aplicabilidade, no entanto, foi por meio de sua aplicação, que grandes gênios da humanidade construíram modelos de análise do mundo capazes de modificar o meio natural e social, tais como Albert Einstein.

Luciano Aparecido Marques

Referências

Dicionário Oxford de Filosofia. BLACKBURN, Simon. Editora Zahar, RJ – 1997.

O Debate Contemporâneo sobre a Linguagem. FAUSTINO, Sílvia. Filosofia: Conhecimento e Linguagem. Vol. IV.

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