Sugestão de projeto para o Ensino Fundamental.

Podemos encontrar boas adaptações de “The Canterbury Tales” em português, como:

* Os contos da Cantuaria;

* Os Contos de Canterbury.

Um dos contos mais importantes da obra é o conto do cavaleiro. Este conto pode ser trabalhado com alunos do ensino fundamental II. É possível trabalhar temas como: amor, honra, tradição medieval, aventura, valores morais e o papel da mulher nos contos de cavalaria.

Características Gerais da obra.

The Canterbury Tales foi escrito por Geoffrey Chaucer (1343-1400) no século XIV. O autor, considerado o pai da poesia inglesa, foi um poeta erudito e pré- renascentista inglês, que conhecia as obras latinas, italianas e francesas. Chaucer não se interessou apenas por livros. Ele viajou muito e fez um bom uso de seus olhos, criando personagens que se parecem com pessoas reais. Canterbury Tales é uma obra  composta por contos com temas medievais e outros que chegam à contemporaneidade.

Resumo do conto do cavaleiro.

Teseu, o grande duque de Atenas, conquistou o reino das amazonas chamado Cítia. Após a conquista, o soberano trouxe consigo a rainha Hipólita, com a qual se casou, e a sua irmã Emília. Quando retornava da conquista, encontrou algumas mulheres que clamaram para que ele atacasse o reino de Tebas do qual Creonte havia se tornado soberano. Teseu assim o fez, e após a derrota de Creonte encontrou dois cavaleiros, seus rivais, feridos. Seus nomes eram Palamon e Arcite. O rei os levou para Atenas sob a condenação de prisão perpétua.

Certo dia Palamon, que estava enclausurado em uma torre com o amigo Arcite, avistou a bela Emília por quem se apaixonou e chorou por não poder possuí-la. Ao ver essa cena, Arcite também olhou pela janela da torre e se apaixonou por Emília. Ambos brigaram por ciúmes de um amor que naquela altura era impossível para os dois.

Por intermédio de Piríto, um nobre duque amigo de Arcite, este pôde ser solto da prisão com a condição de nunca mais retornar à Atenas novamente. Entregues à tristeza, Palamon e Arcite sofreram por amor. Um podia ver sua amada todos os dias, porém, preso sem poder tocá-la. O outro embora tivesse a liberdade nunca mais poderia ver a sua amada novamente.

Em Tebas, Arcite ficou por muito tempo definhando por amor, até que uma noite, o deus alado Mercúrio apareceu em seus sonhos e ordenou-lhe que voltasse para Atenas. Ele obedeceu ao deus e retornou para Atenas com o nome falso de Filóstrato. Lá, pôde servir Emília diretamente como pajem de câmara.

Palamon escapou da prisão por intermédio do amigo, e quando estava a fugir deparou-se com Arcite, que já era escudeiro principal do rei, ambos discutiram es marcaram uma luta para o dia seguinte. Durante a peleja eles lutaram ferozmente e foram avistados por Teseu no bosque do palácio. O duque de Atenas tomou partido de toda a história e preparou um grande combate que definiria qual seria o amante de Emília. Teseu construiu uma grande liça com esse esquema: no oriente construiu um altar para Vênus, deusa do amor; no ocidente construiu um altar para Marte, deus da guerra; ao norte construiu um altar para Diana, deusa da castidade.

Antes de guerrear Palamon fez sua oração no altar de Vênus, Arcite no altar de Marte e Emília no altar de Diana.

Arcite venceu a batalha, mas por intermédio dos deuses sofreu um acidente. Caiu do cavalo no momento em que comemorava a vitória e morreu, deixando Emília para Palamon.

Características da narrativa.

Apresentação – O plano apresenta um plano real e um mítico.

No plano real o tempo se dá entre a primavera e o verão. O espaço é a Inglaterra. As personagens são os peregrinos. No plano mítico o narrador é épico (ex.: “Antigamente como narram velhas crônicas…”).

No conto do cavaleiro o espaço é a Grécia antiga e os personagens são:

Teseu: duque de Atenas.

Hipólita: amazona, rainha da Cítia, esposa de Teseu e irmã de Emília.

Palamon e Arcita: dois amigos tebanos, que se tornam inimigos na disputa pelo amor de Emília.

Emília: irmã de Hipólita, amada por Palamon e Arcita.

Amor: amor que Palamon e Arcita sentem por Emília.

Morte como libertação, morte como redenção e intrigas – Ex.: na Literatura Portuguesa a mulher é intocável, pois é a imagem de Maria. Na Literatura Inglesa a mulher é intocável devido a uma briga interminável entre dois pretendentes. A solução para esse amor intocável é a morte, que não é negativa, começando a entrar na ideia do tempo linear.

Paganismo e Cristianismo – podemos ver as duas características no final do texto, quando o narrador diz a palavra amém, depois de vários episódios pagãos.

Personificação dos sentimentos – no texto todos os sentimentos aparecem em letra maiúscula, seguindo a ideia dos gregos. Segundo eles, os sentimentos não são abstratos, mas concretos. São pessoas que agem. O teatro grego utilizava a catarse1 que servia como expressão dos sentimentos, por isso eles eram personificados.

Desmembramento do narrador – no decorrer da história o narrador se desmembra em vários outros narradores, vide o esquema:

(Autor = narrador em 1º pessoa = personagem 1 = narrador em 1º pessoa = personagem 2 = narrador em 1º pessoa …)

Versificação – Chaucer introduziu em sua obra o esquema de versos spencerian stanza que apresenta seis versos em cada estrofe, com o esquema de rimas aabbcc, em tons forte e fraco.

Por fim, o conto do cavaleiro é uma obra de grande valor estético e pode proporcionar debates muito ricos em sala de aula.

Luciano Aparecido Marques.

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