Luto

Ela remói dolorida aqui dentro,

Remexe gosmenta em todos os cantos.

Foge enquanto eu a busco atento,

Com meus neurônios pulsando nos flancos.

Fica cravada feito vã maldade

Sem remédio de nenhuma parte.

Ferpa encrustada no fundo da carne.

Seu nome qual é!!? Chamam-na saudade!

Onde está afinal aquela estrela

Que costumava brilhar no céu negro,

E de manhã tão quente como sol

Abria a porta do sorriso

E com olhos brilhantes feito farol

Dizia: “Nossa, que dia lindo”?

É, meu caro, o que fazer nesta hora?

Resta apresentar ao criador,

Do poente a aurora, a própria dor

Que como bálsamo cicatrizante,

Fará um dia a dor ficar menos pulsante.

Luciano Aparecido Marques

A paz de Cristo

Nunca se esqueças que na escuridão

Deus ali estará!

E a fenda aberta pelo medo,

O Espírito Santo curará.

No abandono do desespero e da dor

Quando tudo parecer perdido,

Tens as mãos estendidas do Criador

Com seu punho destro estendido.

E quando não souberes como agir,

O que fazer de sua sacra vida,

Os santos lhe serão modelo, dos quais o maior

É a Santa Virgem Maria.

Por fim, no meio do negrume maléfico da dor

Procure pelo Salvador.

Siga ao fim do tunel até a luz.

Ali o encontrarás! Lá, no silêncio da oração,

O cordeiro de Deus, Jesus.

Luciano Aparecido Marques

Diabetes controlada.

Foto por Valeria Boltneva em Pexels.com

Crônicas de um diabético

Caríssimos, leitores, nesse terceiro artigo que me proponho a escrever sobre o diabetes eu quero focar no sabor do alimento que destrói a saúde de um diabético. Comecemos por analisar um assunto simples, mas que passa despercebido pela grande maioria dos brasileiros, a nossa dieta.

Pois bem, há uma certa sensação de universalidade nos alimentos que comemos, como se o planeta inteiro consumisse o clássico arroz com feijão, a porção de salada e uma porção de proteína. Não sou médico, mas sempre me falaram que esse modelo de alimentação é o correto. Bem, pode até ser o ideal para uma pessoa que não tem a genética comprometida pelo diabetes.

A alimentação é parte da cultura e, portanto, possui raízes histórico-sociais. Vejamos um pouco das três principais etnias que compuseram o nosso país em sua origem: portugueses, africanos e índios nativos. Cada uma dessas etnias possuíam suas próprias dietas baseadas na cultura e na matéria prima que sua própria terra produziam. Dessa miscigenação nasceu o nosso padrão alimentício. Se pensarmos um pouco além veremos que o padrão alimentício de cada região não foi estabelecido pensando em cada indivíduo, mas no grupo social, de modo que ignora-se as doenças que cada indivíduo pode ter. Sem contar aquelas que não tem nem ao menos o que comer, o que é muito pior.

“Há uma certa sensação de universalidade nos alimentos que comemos, como se o planeta inteiro consumisse o clássico arroz com feijão, a porção de salada e uma porção de proteína”

Passemos agora, meus caros, a analisar o sabor de nossa dieta padrão. O brasileiro, em geral, aprende desde cedo a consumir o sabor doce ou agridoce. O vovô dá ao netinho a balinha doce e inocente que, combinada ao sabor despreocupado da infância, gera prazer em forma de serotonina. A mesa posta no almoço é repleta de carboidrato e açúcar, mais serotonina. Prazer, prazer e mais prazer. E o melhor de tudo, não há esforço, basta comer e o carboidrato faz a sua função de gerar mais e mais prazer em forma de glicose. O problema é que uma hora a conta chega e pela primeira vez, para alguns, passamos a conhecer um órgão que até então só ouvimos falar na aula de biologia da professora Gertrudes: muito prazer, eu sou o pâncreas.

Em seguida, o médico – aquele mesmo que lhe disse que na pirâmide da alimentação saudável, a base era o trigo e as massas, ou seja, carboidrato que lhe manteria de pé e saudável – agora lhe proíbe de consumir o sabor de uma vida inteira, glicose em forma de carboidrato.

O problema é que agora a luta não é apenas em trocar a dieta, mas em abandonar os prazeres da infância e a serotonina gratuita que advinham com ele. Mas, muita calma nessa hora. Há uma solução que é simples até, mas que requer um trabalho importante: mudar o sabor de nosso paladar e produzir serotonina por outros meios que não a alimentação.

Foto por Trinity Kubassek em Pexels.com

Bem, de forma clara e direta, falemos sobre a dieta do mediterrâneo que se baseia em peixes, hortaliças e frutas cítricas, tudo o que um diabético precisa, uma dieta “low carb”. A palavra “low” em inglês significa “baixo”, portanto, dieta “low carb” é uma dieta baixa em carboidrato. Ao obter essa dieta é importante ter em mente que devemos inserir gorduras saudáveis à nossa alimentação para compensar o baixo consumo de carboidrato.

Outra importante mudança que devemos fazer na nossa rotina diária é o abandono da vida sedentária e a inclusão de atividades físicas, ações que geram muita serotonina no nosso organismo. Portanto, de sobra passamos a ser mais felizes.

Por fim, meus queridos, o verdadeiro desafio é mudar o nosso paladar e acrescentar exercícios para controlar o diabetes tipo 2. Os nuances dessa prática eu deixo aos especialistas, médicos que tem propriedade para nos ajudar, mas lembrem-se, é preciso procurar profissionais atualizados e comprometidos com a ciência, de preferência nutrólogos atualizados.

Luciano Aparecido Marques

Eclosão

A noite é sempre de fim de ano.

Ele vem assim sereno, andando…

Quietinho como quem não quer nada

Achega-se e faz morada.

Seu nome é tempo.

Tão imperceptível no momento!

Não o reconhecemos quando em criança

Pois que o temos em abundância.

E nesse baile a vida passa imensa

Feliz e sorrateira,

Sem dar conta de sua presença.

Mas um dia, a música fica lenta

E a boa idade vem chegando,

Trazendo consigo sua beleza.

Agora sua presença é inexorável,

Sua voz brada nas esquinas.

Sua comanda, à medida dos abusos, infindável

E o troco vem de sobra na fraqueza

Dos anos vividos como se fossem eternos.

O que nos resta?

Culpar o tempo?

Ladrão! Algoz! Injusto!

Não, meu bom amigo…

Resta-nos abraçar-lhe no salão

E com dignidade dançar

A nova trilha sonora que a vida nos dá.

Luciano Aparecido Marques

Crônicas de um diabético.

Lidando com o emocional.

Galera, lembrem-de de que no último post eu disse que para nós, diabéticos tipo 2, a primeira coisa a se fazer é assumir que estamos diabéticos e não somos diabéticos e que é importante entender que o diabetes tipo 2 é uma doença oriunda de causas diversas, porém, a maior delas é a causa nutricional? Pois bem, hoje falaremos um pouco sobre o fator emocional diante do alimento e como lidar com ele de maneira positiva.

Estar diabético em uma sociedade pró diabetes é uma causa quase perdida, digo quase perdida pois há uma forma de vencê-la, e essa forma se chama informação. Vejamos o caso muito comum; vamos à uma festa de aniversário e nos deparamos com uma infinidade de alimentos apetitosos e que nos causam muito prazer. Alimentos repletos de açúcar que aumentam a nossa serotonina e nos trazem uma sensação deliciosa de alegria, porém, a cartilha que o nosso médico pede que sigamos nos reprime a consumir essas delícias. Portanto, ao invés de ficarmos felizes na festa, ficamos deprimidos. Achamos que a natureza foi injusta conosco, uma vez que outras pessoas não se prejudicam com essas delícias, apenas nós. Esse pensamento já começa errado. Vejamos o porquê.

Os alimentos farináceos e industrializados são repletos de glicose ou frutose disfarçados de delícias inofensivas, mas que podem te levar ao hospital com uma crise de hiperglicemia e, pasmem, esses produtos alimentícios não causam danos apenas aos diabéticos, mas à toda a população. Entendam que não estou endemonisando o alimento em prol de uma causa anti-diabética, mas, contra os fatos fica difícil argumentar.

Desde crianças a sociedade que chamarei de “glicoseocêntrica” nos ensina que o açúcar está associado à alegria e à felicidade. Em partes, essa premissa é verdadeira, uma vez que o açúcar libera alguns hormônios no corpo que geram a sensação de felicidade. Porém, uma hora a conta chega em forma de  carnês chamados: diabetes, esteatose hepática, resistência insulínica, dentre outros. A questão agora é o que devemos fazer para lidar com essa falta de doce “felicidade”? Como nos comportar em uma festa na qual há uma infinidade de alimentos dos quais podemos consumir muito pouco?

Vivemos em uma sociedade “glicoseocêntrica”.

Falarei um pouco da minha experiência. Para mim, o aspecto mais difícil nessas situações de festa é passar vontade de comer os alimentos que fui condicionado a consumir desde minha tenra infância. É muito difícil receber um diagnóstico que lhe inibe consumir os quitutes mais deliciosos e comuns do dia-a-dia. Outra questão que me chateava no início de meu tratamento era recusar o consumo desses alimentos o tempo todo e ser visto como o chato e frescurento da história. Essas questões abalam o lado emocional e produzem um outro problema chamado estresse.

O estresse possui um efeito catalisador que potencializa qualquer doença no organismo, de modo que se não cuidamos do nosso estresse somos sempre uma bomba relógio prestes a explodir. Mas afinal, como é possível lidar com essa situação emocional que acomete os diabéticos diante do carboidrato? Não há apenas uma resposta, mas ensinarei algumas técnicas que podem ajudar. Eu as separarei em duas etapas: como lidar com os gatilhos emocionais e como resolver o problema na prática.

Lidando com os gatilhos emocionais.

Para lidar com os gatilhos emocionais que são acionados quando somos apresentados às delícias que não devemos consumir sem correr o risco de hiperglicemia, é necessário saber as consequências que esse consumo pode gerar. Para isso temos a informação ao nosso alcance. Uma das complicações do diabetes são os problemas vasculares sobre os quais todos deveríamos saber. Pois bem, uma vez compreendidos os problemas que podemos vir a ter através do diabetes, é fácil se convencer que não queremos esse tipo de complicação. Portanto, o primeiro passo para lidar com as emoções é saber as consequências que o consumo de carboidrato refinado pode trazer à nossa vida.

Agora, convencidos das complicações que a má alimentação pode trazer à nossa vida, passemos à etapa 2 do processo. Nessa etapa, eu costumo utilizar algumas técnicas de programação neurolinguística que funcionam muito bem. Para a PNL, nós possuímos uma estrutura mental construída a partir da linguagem. Essa estrutura constitui uma espécie de “mapa ” através do qual interpretamos a realidade, a qual podemos denominar “território”. Uma das premissas fundamentais da programação neurolinguística é a fórmula: o mapa não é o território.

Na prática podemos afirmar que a grande maioria da população utiliza o mesmo mapa em territórios diferentes, isso significa dizer que para nós, que estamos diabéticos, é necessário atualizar aquele mapa da infância, para a qual o açúcar era a felicidade, diante de um outro território chamado realidade, para a qual a saúde plena é a felicidade.

Partamos para a última etapa, que é  a prática diante da situação. Uma vez atentos ao fato de que o mapa não é o território e de que a felicidade está muito acima do consumo de carboidrato refinado e frutose, é necessário dizer “não” aos possíveis efeitos colaterais da falsa felicidade e abrir-se à nova vida. Como colher esses efeitos?

Resolvendo o problema na prática.

Eu não poderia chegar ao fim desse texto sem falar sobre o outro lado da moeda, ou seja, os prazeres que um diabético tipo 2 pode ter.

O primeiro prazer é o consumo de qualquer alimento que pode ser feito a partir de receitas próprias para diabéticos. É possível aprender essas receitas com especialistas da área na própria Internet, portanto, mãos à obra.

O segundo prazer é a prática de exercícios físicos. Sabe aqueles hormônios que o consumo de doce libera no organismo? A prática de exercícios físicos também o fazem, mas sem efeitos colaterais. Vamos levantar e praticar?

Por fim, não esqueça que a pessoa mais importante do universo é você mesmo. Portanto,  cuide de si mesmo para que você possa cuidar daqueles que você ama. Trate-se com amor para que possa tratar os outros com esse mesmo amor. E lembre-se, quando lhe oferecerem algo que você não pode consumir,  recuse educadamente e não tenha vergonha de dizer que está diabético e não pode consumir esse alimento. Não fique triste, pois afinal, sempre existe uma receita deliciosa que você poderá preparar em casa e substituir por aquela que lhe faz mal.

Luciano Aparecido Marques

Férias de professor

Professor é pessoa estranha!

Passa o ano inteiro a doar

O tempo de sua vida insana

Para os outros educar.

O tempo vai passando no relógio

E ele, educador está aos arredores

Como uma espécie de oratório

A quem recorrem os pecadores.

Pronto a enriquecer

A cultura dos pupilos

Doando-se com esmero.

Mas na hora de suas férias,

O que mais ele precisa

É de ficar só

Cuidando de si mesmo.

Luciano Aparecido Marques

Crônicas de um diabético.

A cultura nos adoça e adoece.

Gente do céu,  a fome de um diabético não é por alimento, mas por carboidrato. Falo isso como marinheiro de primeira viagem. Recebemos um choque quando o médico diz “Meu filho, tu és diabético. Agora não poderá mais comer doces e terás de tomar remédio a vida toda”. Convenhamos, a sentença é quase a morte, certo? Errado!

Depois de receber a sentença acima a minha qualidade de vida começou a melhorar exponencialmente. Primeiro, porque eu decidi que seria feliz independentemente das circunstâncias; segundo, porque a vida após os 40 anos é uma escolha; ou você passa a vivê-la com mais intensidade, amor e longevidade, ou já compra o passaporte da morte dolorosa aos poucos.

O diabético tipo 2 como eu tem basicamente 2 escolhas e para isso utilizo um trechinho do salmo 1 :

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”.

Sl 1,1-2

Nós, diabéticos tipo 2 poderíamos com todo respeito acrescentar a essa recomendação divina o seguinte texto:

“Bem-aventurado o diabético que não consome carboidrato refinado, glicose e comida industrializada. Antes tem o seu prazer nos carbos fibrosos e de baixo índice glicemico, o consumo adequado de proteínas, bem como o consumo de água adequado e os exercícios físicos para seu bem estar e saúde”

O maior desafio para nós,  irmãos, somos nós mesmos. Digo isso com conhecimento de causa. Quando descobri a minha diabetes tipo 2, eu mudei tão drasticamente a minha rotina diária, que não me reconheço mais e, para isso você não precisa e nem deve querer mudar a cultura de consumo hiperglicemico da sociedade ocidental. Quem deve mudar é você!

Proponho-me a escrever uma série de crônicas sobre o assunto que é muito sério e requer um cuidado diário. Porém, sem perder o humor, caminharemos juntos nessa série “Crônicas de um diabetico” na qual irei apresentar situações para lidar com essa doença nutricional, que, por pior que possa parecer, pode se transformar em benção nas nossas vidas.

Comecemos com o dia fatídico…

Sete horas da manhã.  Após uma noite mal dormida um belo café da manhã “saudável”. Pão integral com margarina vegetal e café com leite adocicado. Para arrematar, um belo pedaço de bolo industrializado, afinal é necessário comer bem para lidar com o dia estressante.

Chego à clínica médica com o exame de glicemia em jejum exemplar. Todo orgulhoso, entrego nas mãos da doutora endocrinologista que olha atentamente ao exame. Faz alguns comentários que a princípio ignoro, afinal a minha vida tem sido um poço de alimentação saudável: produtos light, diet e com zero açúcar.

A doutora percebe minha falta de atenção e como uma mãe a dar bronca no filho adverte:

_ Olhe bem para mim! Nos meus olhos! Sua hemoglobina glicada está quatro vezes maior do que o padrão. O senhor está diabéticos!

Sem compreender o veredito final acompanho todas as recomendações com atenção e saio do consultório triste.

O que fazer agora, meu Deus? Não vou poder comer as delícias pelas quais eu era viciado a vida toda? E agora?

Passo na farmácia e compro o remédio prescrito. Daquele dia em diante a minha vida começa a mudar e, acreditem, para melhor.

A mente funciona como o farol da alma, o olho do espírito, que deve guiar o corpo com sabedoria. E nesse caso, era questão de vida ou morte.

Deixe-me apresentar-lhes o diabetes. Eu o conheço há alguns anos, pois perdi entes queridos para essa doença.

Sempre achei que diabetes eram as chacretes do diabo. E até que eu não estava tão errado! Essa doença, em se tratando de diabetes tipo 2 é meramente nutricional e oriunda de maus hábitos, ou seja, se você a possui, saiba que o caminho para a cura também é nutricional e se cura com bons hábitos.

Sempre achei que diabetes eram as chacretes do diabo. E até que eu não estava tão errado!

Luciano

O primeiro hábito que um diabético tipo 2 deve assumir é a frase: “estou diabético” e não “sou diabético “. Assumir essa premissa é importante, pois é a partir dela que começamos a nossa cura.

É importante também seguir a prescrição médica quanto à medicação e mudar os hábitos alimentares. Lembre-se, você não é diabético, você está diabético, ou seja, essa condição é temporária.

Termino esse primeiro texto deixando um link do médico dr. Patrick Rocha, especialista em diabetes, que irá ajudá-lo nessa caminhada.

Por fim, no segundo texto da série,  falarei de como lidar com o emocional e o diabetes.

Um abraço a todos.

Luciano Aparecido Marques

Projeto de literatura para o Ensino Fundamental II

Como professores de literatura e linguagem temos de lidar com o aspecto motivacional dos alunos no tocante à leitura, e isso é, no meu ponto de vista, o fator mais desafiador das aulas. Vivemos inseridos em um mundo no qual o bombardeio de imagens e estímulos das redes sociais roubam o precioso tempo e a atenção de nossos alunos e com efeito, sobra pouco espaço para a leitura.

Uma ideia para estimular os alunos à leitura é criar um projeto que não se resume à leitura da obra e a feitura de uma prova ao término da mesma. Não há nada menos estimulante do que dizermos aos alunos que eles devem ler determinado livro, pois essa matéria irá cair na prova. Broxante ao extremo!!!

Logo, foi pensando em todos esses aspectos que procurei juntamente com a professora de português fazer um trabalho interdisciplinar entre as disciplinas de língua inglesa e de língua portuguesa com os alunos do ensino fundamental II. A partir da leitura da obra “A Terra dos Meninos Pelados” de Graciliano Ramos, os alunos montaram um projeto que contemplou não apenas a leitura da obra, mas um processo por meio de um percurso pedagógico que envolveu leitura, debate e produção de texto.

Segue abaixo um esquema desse percurso:

Os alunos do 6º e 7º anos leram a obra e produziram um resumo do livro em inglês. Eles também escreveram um diário e fizeram um cartaz da terra dos meninos pelados (Tatipirun), como se eles próprios a tivessem visitado. Segue abaixo alguns trechos de ambas as produções.

The book tells the story of Raimundo, a young boy who had no hair, and had each eye in different color. Due to that he was always provoked by his friends.
One day he crossed the yard and walked and walked along. Suddenly he came across an orange tree they talked to each other and he got an orange.
He walked a little further and came across a rock they talked to each other and he walked away again…
Further on he found a chest, he met her with a spider that gave him clothes from there.
He made a lot of friends and promissed to come back with more friends…

(17/09/21) Meu querido diário,  hoje foi um dia terrível!!! Eu entrei na sala de aula e todos já começaram a rir. Eu odeio essas pessoas, por que será que elas zoam tanto comigo? Parece até que eu sou um inimigo. Hoje contei pra minha professora sobre Tatipirun, ela disse que eu sou louco e disse que se eu ficar imaginando coisas vou acabar com a minha vida. Tenho tanta saudade de Tatipirun, todos são legais lá, e todos são iguais a mim.

E se Tatipirun existisse? Como ela seria?

Aos alunos do 8º e 9º anos coube escrever poesias e um pequeno ensaio em inglês sobre os aspectos positivos e negativos da obra. Por fim, os alunos escreveram uma crítica de cinema em inglês sobre a suposta adaptação ao cinema da obra literária. Seguem um exemplo abaixo.

A bela Tatipirun

Havia uma terra

Onde todos eram iguais

Chegava passando por uma serra,

Tatipirun era demais.

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Nessa terra os meninos eram sensacionais.

Todos tinham olhos azuis e pretos,

Eram pessoas ruins? Jamais!

Todos tinham seus jeitos.

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Uma terra sem preconceitos

De objetos, animais e plantas.

Todos tinham os seus direitos.

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As pessoas eram rabugentas,

Eram todos calvos

E todas as crianças vivem juntas!

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The Land of Naked Boys counterpoint.

The Land of Naked Boys, the Land of Raimundo and his imaginative image of a world with friends, where everyone was equal. Drawn on the floor of his sidewalk, crossing the walls of his house and arriving in this country, Tatipirum.
Graciliano Ramos’ book shows us the prejudice that many people suffer because of their differences. Upon entering a new world, in which he was included, the author shows us that we are all similar and that we should be treated with equality and dignity, accepting each other’s differences. In addition, the language is easy to understand and can be understood by beginning readers.
Graciliano Ramos wrote a book called The Land of Naked Boys, a book about bullying and also about the suffering of a child for being different. The child called Raimundo was mocked for being bald and having an eye of every color. The author of the book focused on the part where the child imagines being enough for everyone, happy and joyful, even if only in their imagination.
However, the work presents the thoughts of a child who chooses his responsibilities first, even imagining something better. The author shows us a responsible child, who first decides to do his task, and then have fun. The book is an educational reading and makes us reflect on the children’s thoughts, in addition to the difficulties they need to deal.

The Naked Boys’s Land – Film Review

The Naked Boy’s Land is a fantasy film directed by Steven Spielberg. The film is an adaptation of a book with the same name, that was written by Graciliano Ramos and released in 1939.

Raimundo, the main character, is starred by Millie Bobby Brown. He’s a lonely boy who ends up in a completely different and perfect place. He feels so happy to be in this new world since, in his city, he was bullied because of his facial features.

Foto por Photography Maghradze PH em Pexels.com

The cast of the film was composed of children with cancer, having the intention of giving them a little more fun. It was actually a “support” for them, where all the money received went to the construction of a charitable institution. 

The film won many awards mainly because of its very special purpose and  the awesome screenplay and soundtrack. Millie Bobby Brown made a great work as part of the cast, consequently winning an Oscar. 

We recommend this movie for everyone, from everywhere, but especially for kids, so they can  learn that judging people by their features is wrong and we should treat everybody equally.

Conclusão do projeto

Ao término de todo o projeto literário, criamos um blog juntamente com as crianças e estimulamos a produção textual dos alunos. Caso alguém se interesse por visitar o blog, segue o seu endereço: https://viagemescolargasparzinho.wordpress.com/blog/

Por fim, o trabalho com a literatura deve ir além da leitura da obra, esse mesmo trabalho deve proporcionar aos alunos um olhar rico e diferenciado da literatura.

Luciano Aparecido Marques

A beleza da arte

Aos aficionados, como eu, pelo conceito aristotélico da potencialidade humana como possibilidade intrínseca de realização de obras incomensuráveis, esse pequeno texto deverá servir como reflexão sobre o belo e o grotesco na arte e na vida.

Com a simples reflexão acerca das obras criadas pelo ser humano em todos os âmbitos, podemos considerar que para criá-las faz-se necessário desenvolver uma mente criativa e impulsionada para criação. Ora, o ambiente externo de certo modo propicia ao indivíduo o impulso que mais tarde se tornará parte de sua verve criativa.

Neste sentido, é preciso salientar que também o ambiente interno será fundamental para favorecer o artista na sua criação, afinal, é a sua identidade individual que dá vida à sua obra. A sua individualidade é a marca única que dará o tom de sua arte, e com isso devemos dizer que o artista não é um super homem dotado de habilidades mágicas, mas tem de certo modo, uma paixão diferenciada pelo seu campo de atuação, tal como qualquer outro profissional.

No entanto, é possível criar obras belas se se está cercado de feiura e desalinho estético? Ora, andemos pela periferia da cidade e observemos as malfadadas construções sem nenhum planejamento urbano, estas mesmas fruto da desigualdade social e cultural de nosso país. No entanto, basta nos atentar e veremos cá ou acolá um jardim belo e planejado, um muro lindamente grafitado ou uma casa bem planejada, ainda que humilde.

O mesmo se dá em todas as artes liberais. Vejamos como exemplo a música moderna, que, com arranjos cacofônicos que exaltam o ritmo acima da melodia e letras que servem como uma espécie de hipnose coletiva para a reprodução de apenas um refrão que, não raro induz ao mal gosto e à sensualidade. Ao passo que ainda é possível ouvir uma letra instigante em batidas de hip hop ou até mesmo a bela melancolia bucólica de uma canção sertaneja cuja letra contém um que de filosofia e beleza, como vemos em Luar do Sertão de Catulo da Paixão Cearense.

O discurso que defende a situação sócio econômica como causa do declínio da manifestação cultural tal como ela é, ignora o fato que não é o dinheiro ou a fama que propicia a criação,  mas a vontade e percepção do artista. Haja vista a situação social de nosso maior escritor, o bruxo do Cosme Velho, para quem a arte era trabalho, não inspiração deificada, nem tampouco o acômodo social.

Ora, como nos ensina o professor Carlos Nougué em sua belíssima obra “Das artes do Belo”, a finalidade das artes do Belo não é senão, fazer o homem propender ao bom e verdadeiro e mediante ao horrendo, visa a fazê-lo afastar-se do mal e do falso.

Tendo em vista a última premissa, sobre a qual a arte pode ser uma ponte para a verdade, se preenchemos a nossa alma com o horrendo atualmente construído sobre os pilares da beleza e do Belo destronado do bom e verdadeiro, passamos a viver em desalinho com aquele conceito da potencialidade supracitado, de modo que, ao invés de fazer crescer a nossa capacidade crítica de produzir e consumir a beleza tornamo-nos meros consumidores de péssima arte, algumas das quais nem sequer mereceriam ser cunhadas como tal.

“A finalidade das artes do Belo não é senão, fazer o homem propender ao bom e verdadeiro e mediante ao horrendo, visa a fazê-lo afastar-se do mal e do falso”.

Carlos Nougué

Concluo afirmando que nem todas as obras de arte do passado são boas, bem como nem todas as do presente são de má qualidade. Lembremos que generalizar é sempre passível de erros, contudo, atentemo-nos ao fato de que as grandes civilizações em seu auge tiveram na arte o reflexo de sua grandeza.

Luciano Aparecido Marques

Cura da ansiedade

Na escuridão da alma desolada

E no roto coração partido

Necessitamos de ombro amigo

E de alguém ao lado na estrada

A matéria que é servil e tísica

Já não basta ao corpo limitado

Que goza da vida enlutado

Na busca de uma esperança metafísica

Pois que é deste mesmo caminho escuro

Que provém toda esperança

De um ansioso para quem o mundo

Já não é senão um universo misto

De um dia sem sol e uma noite sem lua

No qual o grande luzeiro não é senão o próprio Cristo.

Às vezes é necessário alguém para dizer que tudo vai dar certo,

Ainda que o futuro pareça turvo e desesperançoso

Pois sozinho tudo é volátil

É frágil e perigoso

Por isso Sua grande presença de luz

Conforta, completa e traz gozo

Sempre ao Seu lado, Jesus

Tudo fica mais leve e saboroso.