Luto

Ela remói dolorida aqui dentro,

Remexe gosmenta em todos os cantos.

Foge enquanto eu a busco atento,

Com meus neurônios pulsando nos flancos.

Fica cravada feito vã maldade

Sem remédio de nenhuma parte.

Ferpa encrustada no fundo da carne.

Seu nome qual é!!? Chamam-na saudade!

Onde está afinal aquela estrela

Que costumava brilhar no céu negro,

E de manhã tão quente como sol

Abria a porta do sorriso

E com olhos brilhantes feito farol

Dizia: “Nossa, que dia lindo”?

É, meu caro, o que fazer nesta hora?

Resta apresentar ao criador,

Do poente a aurora, a própria dor

Que como bálsamo cicatrizante,

Fará um dia a dor ficar menos pulsante.

Luciano Aparecido Marques

A paz de Cristo

Nunca se esqueças que na escuridão

Deus ali estará!

E a fenda aberta pelo medo,

O Espírito Santo curará.

No abandono do desespero e da dor

Quando tudo parecer perdido,

Tens as mãos estendidas do Criador

Com seu punho destro estendido.

E quando não souberes como agir,

O que fazer de sua sacra vida,

Os santos lhe serão modelo, dos quais o maior

É a Santa Virgem Maria.

Por fim, no meio do negrume maléfico da dor

Procure pelo Salvador.

Siga ao fim do tunel até a luz.

Ali o encontrarás! Lá, no silêncio da oração,

O cordeiro de Deus, Jesus.

Luciano Aparecido Marques

Eclosão

A noite é sempre de fim de ano.

Ele vem assim sereno, andando…

Quietinho como quem não quer nada

Achega-se e faz morada.

Seu nome é tempo.

Tão imperceptível no momento!

Não o reconhecemos quando em criança

Pois que o temos em abundância.

E nesse baile a vida passa imensa

Feliz e sorrateira,

Sem dar conta de sua presença.

Mas um dia, a música fica lenta

E a boa idade vem chegando,

Trazendo consigo sua beleza.

Agora sua presença é inexorável,

Sua voz brada nas esquinas.

Sua comanda, à medida dos abusos, infindável

E o troco vem de sobra na fraqueza

Dos anos vividos como se fossem eternos.

O que nos resta?

Culpar o tempo?

Ladrão! Algoz! Injusto!

Não, meu bom amigo…

Resta-nos abraçar-lhe no salão

E com dignidade dançar

A nova trilha sonora que a vida nos dá.

Luciano Aparecido Marques

Uma ave.

Sob as nuvens carregadas

De orvalho almiscarado

Voa altiva criatura alada,

Imponente pássaro mascarado!

Será anjo ou querubim?

Difícil saber de fato!

Só sei que passa assim,

Rasgando o véu no espaço!

Ah se essa ave fosse minha!

Não como uma alma engaiolada,

Mas voando, como andorinha,

Voltando por livre arbítrio

A nosso ninho de cambraia.

Ano novo, vida nova.

Caros leitores e leitoras,

Desejo a cada um de vocês um excelente 2021. Eis que publico o meu último texto de 2020 e espero ter contribuído com o sucesso de cada um de vocês. Obrigado por estarem ao meu lado nessa grande jornada da vida.

Ânsia.

Eis que o véu da vontade se descortina

E com ele a ânsia e a vontade

Se abrem por completo.

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Com isso, a janela do destino se nos mostra

E nossa história começa a ser escrita

Já no embrião, no feto!

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Antes de sairmos

Pela porta tomamos a precaução

De observar bem o terreno!

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Os declives, as montanhas, as trilhas.

Na bagagem trazemos o bastante

Apenas para um período de tempo.

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Contamos obviamente com a ajuda

Daqueles que aqui estão

E dia após dia construímos nosso intento

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Se chegamos até aqui

É uma benção sem igual

Vivamos, pois, felizes o momento!

Feliz 2021!

Luciano Aparecido Marques

The Greatest Christmas Present.

A star shone in the sky,

And up above beyond the hills

Three mysterious guys

Came in white clothes like daffodils

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Their wealth was immense.

And from different parts of earth

They brought gold, incense

And a brown substance called myrrh

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That day,

In Bethlehem, resolutely

The king was born

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Since then,

His presence has absolutely

Been enough.

Luciano Aparecido Marques

Friends

Along the path we find packs

That fill our body and mind.

Then we keep on going ahead

Making friends who are part of life.

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By the end of such incredible journey

We will have carried important blessings

And, unfortunately, useless worries

That will have turned the luggage heavier.

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So, It’s up to us

To share the weight

We carry along.

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Or sadly

We may hold

Heavy things alone.

Luciano Aparecido Marques.