O tempo cura

Aquele que fere o tempo de modo sutil

Com seu afeto singular

Contribue com uma centelha

Que haverá de encontrar

No seu tempo derradeiro e senil

Quando na vereda incerta da tristeza

Faltar calor e beleza

A microscópica fagulha

Que outrora brilhou quase sem brio

Acenderá um braseiro na alma

E um incêndio varrerá a depressão cruel e vil

A morte do povo colorido

No país onde os sons são coloridos

Se misturam matizes que fustigam os ouvidos;

Os olhos ouvem o que as orelhas enxergam,

O vermelho chora

E o branco dorme.

A paz ecoa em azul

E em si bemol o arco-íris

Contorna as formas.

A mudez dos que podem falar, mas se calam

Escurece

E os olhos ouvem a escuridão onde ela não está,

Morrem as cores!

E o que sobra é o cinza bipado e morno

Da crueldade e da omissão

Fora de ordem

Outro dia o menino encontrou uma pedra da lua

Ela estava caída no chão em meio às flores diluídas

Ele leu na sagacidade do minério uma frase filosófica:

“O sono é bom para quem pode dormir

E a vida é bela para que pode sorrir”

Ele logo atirou a pedra no rio

Pois que dormir não podia

E o sorriso na boca não lhe cabia

A lua era distante e tal sabedoria

A si não passava de fantasia

Continuou a garimpar embrutecendo.

The best offering

We should always offer the best of us to God.

Our best is not enough of course

But the measure of our service must be the same

Jesus gave to us on the cross.

And even though life seems to be tough

He knows our weknesses and gives us enough

For us to keep going

Even if the sadness overwhelms the love

Hope must be always growing!

Dry the tears

Because

He is here!!!

Amen.

Luciano Marques.

Fila

Sempre há alguém na fila.

E o mais interessante é

Que essa instituição social

Contém uma verdade metafísica chamada unidade!

Todos o que nela adentram

Estão em busca de soluções parecidas,

E isso faz da fila uma irmandade inexoravelmente bela

É ali que encontramos nossos irmãos mais próximos

Pessoas que como nós querem as mesmas coisas.

Pagar contas, esperar o atendimento médico esperar por um concerto….

Ah como seria bom se pegassemos a fila do amor, da fé e da paz de espírito.

Chegaríamos a um lugar melhor e lá seríamos mais bem atendidos.

Luciano Aparecido Marques

O que importa?

Da janela o doente via os passantes.

E acima os raios da luz artificial.

Dentro de si, treva existencial!

Não rememorava os dias de antes

Também não desejava riquezas

À esquerda aparelhos

À frente enfermeiros

Que falavam de carreiras

Trilha sonora? Um bipe infinito!

O médico presente toma nota

O anestesista conta uma anedota

E o moribundo jaz acolá

Desejando apenas ouvir Mozart

E com sua mãe

Tomar uma chícara de chá.

Luciano Marques

Concerto de bem-te-vi em sol maior

De manhãzinha o bem-te-vi se despojou a cantar

O sol resolveu aparecer e o galo já estava cansado

A vila dos homens não via mais do que dentro de si

Uma flor esquecida desabrochou na tez verde do caule

O tempo caminhou como se fosse a aurora da criação

Tão imparcial ao universo que os homens chegaram a temer

A vida continuou ignorando o passar do tempo

E de quando em quando o bem-te-vi em um timbre todo seu

Tocou o tema principal até que o véu da noite cobriu o sol

Luciano Marques

A última lembrança da partida

Aprendas a conviver consigo mesmo

É a melhor coisa que podes fazer!

Não é um ato egoísta

Mas um treino altruísta

Para o próprio bem do ser

Pois no fim dos tempos,

Quando atingires a quintescência

E o céu engolir o momento

Estarás tu e tua consciência

E a última lembrança que carregares no fundo do peito

Será para ti consolo ou desespero.

Luciano Aparecido Marques