The best offering

We should always offer the best of us to God.

Our best is not enough of course

But the measure of our service must be the same

Jesus gave to us on the cross.

And even though life seems to be tough

He knows our weknesses and gives us enough

For us to keep going

Even if the sadness overwhelms the love

Hope must be always growing!

Dry the tears

Because

He is here!!!

Amen.

Luciano Marques.

Fila

Sempre há alguém na fila.

E o mais interessante é

Que essa instituição social

Contém uma verdade metafísica chamada unidade!

Todos o que nela adentram

Estão em busca de soluções parecidas,

E isso faz da fila uma irmandade inexoravelmente bela

É ali que encontramos nossos irmãos mais próximos

Pessoas que como nós querem as mesmas coisas.

Pagar contas, esperar o atendimento médico esperar por um concerto….

Ah como seria bom se pegassemos a fila do amor, da fé e da paz de espírito.

Chegaríamos a um lugar melhor e lá seríamos mais bem atendidos.

Luciano Aparecido Marques

O que importa?

Da janela o doente via os passantes.

E acima os raios da luz artificial.

Dentro de si, treva existencial!

Não rememorava os dias de antes

Também não desejava riquezas

À esquerda aparelhos

À frente enfermeiros

Que falavam de carreiras

Trilha sonora? Um bipe infinito!

O médico presente toma nota

O anestesista conta uma anedota

E o moribundo jaz acolá

Desejando apenas ouvir Mozart

E com sua mãe

Tomar uma chícara de chá.

Luciano Marques

Concerto de bem-te-vi em sol maior

De manhãzinha o bem-te-vi se despojou a cantar

O sol resolveu aparecer e o galo já estava cansado

A vila dos homens não via mais do que dentro de si

Uma flor esquecida desabrochou na tez verde do caule

O tempo caminhou como se fosse a aurora da criação

Tão imparcial ao universo que os homens chegaram a temer

A vida continuou ignorando o passar do tempo

E de quando em quando o bem-te-vi em um timbre todo seu

Tocou o tema principal até que o véu da noite cobriu o sol

Luciano Marques

A última lembrança da partida

Aprendas a conviver consigo mesmo

É a melhor coisa que podes fazer!

Não é um ato egoísta

Mas um treino altruísta

Para o próprio bem do ser

Pois no fim dos tempos,

Quando atingires a quintescência

E o céu engolir o momento

Estarás tu e tua consciência

E a última lembrança que carregares no fundo do peito

Será para ti consolo ou desespero.

Luciano Aparecido Marques

Cronos e o desejo

Depois eu faço

Amanhã eu terei tempo

Agora estou alimentando a minha demanda hormonal

Quando eu terminar essa ação tão esquematicamente normal

Eu direi a mim mesmo:

_Que embaraço!

Porque não consigo?

Tal como o discípulo afirmou

Ser difícil fazer aquilo que é preciso em detrimento do que eu quero

Sei o que devo realizar, mas coloco na frente a imediata vontade estéril

Dessa forma me torno quem sou

E não o que preciso.

E assim passa-se o tempo

Jocoso e tenaz, mas maquinalmente sádico

Pois quando termina a aurora do desejo encravado na alma

Ele sai indiferente rumo ao infinito e com toda calma

Nos deixa perdidos no presente trágico

No qual perdemos o momento

Luciano Aparecido Marques

Último dia

Naquele dia o mundo estará ausente

E a fenda do tempo se desdobrará.

Atônito afogado na mente

O corpo dará o seu último suspiro

E do peito mortal

O coração que tanto amou

Baterá pela última vez

Os estímulos todos se irão

Sobrará apenas a solidão e o medo

O sol brilhará lá fora

O céu estará em seu lugar

Uma criança estará sorrindo

Alguém do outro lado do mundo também estará morrendo

Mas a alma viverá

O Espírito da esperança resistirá

E encontrará em Deus sua morada.

Amém.

Luciano Aparecido Marques

Viagem

Em tom de graça

Um menino corre pelo trilho do trem.

De um lado a floresta densa

Do outro o precipício oblíquo.

Sua mãe o observa atenta

Dói só de pensar em perdê-lo…

_ Saia daí menino, lá vem o trem!!!!

Para ele a imigração é aventura,

Para os demais, em fila indiana, tudo é sem sentido

Não há nada certo, só dúvidas!

Mas ao garoto, o trilho do trem já significa tudo:

A travessia para terras desconhecidas

A vida nova, a paisagem que se abre…

A inocência é capaz de dar sentido onde não há

E a beleza que vem dos olhos do observador

Ultrapassa as barreiras insólitas da injustiça.

Amemos para compreender

Compreendamos para amar.

Luciano Aparecido Marques.