Mindfulness

What is life, but pain?

Especially for those

Who live without love

And in suffering remain.

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Isn’t it alive when we are content

And all things make sense?

Isn’t it alive in an ephemeral moment  

When we pour our soul in the universe?

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You choose your path!

Either from the past

You may listen to a call

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Or, as a matter of fact,

You decide to live

The here and the now.

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Luciano Aparecido Marques

Online

A teacher who works online

And can’t get in touch

With students in live

Feels the lack of presence

Which used to complete their soul

And now it makes their purpose narrow

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In a mixture of sorrow and despair

A unique pupil who learns

How to become wise and fair

Makes knowledge spring ang grow

And achieves the dream of a master

In spite of the problems, so…

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Even if a unique being gets

The miracle process of absorbing

A little flame of wisdom, I guess

That the work would not be in vain

Since a better world may appear and remain.

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Luciano Aparecido Marques.

The best gift

Spinning and spinning around

An Angel fell on the ground

From a cloud of cotton candy

Well known as the never world landing

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His eyes lightening brightly,

Looking for a special lucky child

Whom he desired to present with

A long life from the hands of the Almighty

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Who is that kid?

Who deserves such grace?

Gifted straight from the Lord’s mind!

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You, my dear

To whom it was given

The most precious gift: your own life.

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Luciano Aparecido Marques

Lágrimas de sangue.

Na madrugada do dia 6 de junho de 1944 os soldados alojados na estalagem “La Vie” começaram os preparativos para partirem ao campo de concentração de Drancy de onde seriam transferidos a algum campo de extermínio, provavelmente Auschwitz.

Os judeus não dormiram naquela noite. Stephanie tinha um plano, mas não podia compartilhar com ninguém, não naquele lugar e naquela situação. Os soldados poderiam ouvir.

Os judeus eram proibidos de conversar em hebraico. Eles até evitavam fazê-lo para não correrem o risco de serem presos. No entanto, aquela noite era crucial e a única chance de o plano dar certo era falar em hebraico e foi o que Stephanie fez:

_ Irmãos, prestem atenção! Nós iremos sair vivos daqui nesta manhã, mas eu preciso que vocês sigam as minhas recomendações. Quando os soldados forem nos colocar nos caminhões, o meu marido virá a nosso encontro com a resistência. Todos devem se abaixar porque o tiroteio será iminente, vocês entenderam?

Houve um silêncio sepulcral no quarto 88. O soldado Hans abriu a porta abruptamente, acendeu a luz e começou a gritar:

_ Vamos, vamos, judeus! Levante-se todos! Vamos ao seu destino. Abandonem suas esperanças e obedeçam para não sofrerem sem necessidade.

Os judeus se levantaram muito assustados. Todos estavam descalços e vestiam seus pijamas listrados. Alguns choravam ao se olharem e lembrarem de que estavam com os cabelos raspados.

Aquela era a primeira forma de tentar desumanizá-los e retirar toda a individualidade que possuíam. Havia uma intenção clara em construir uma imagem e mostrar que toda essa etnia era miseravelmente igual.

Hans acompanhou a saída dos prisioneiros enquanto outros dois soldados ficaram no corredor vigiando os judeus.

_ Vamos! Vamos todos ao saguão, rápido! Vociferou Hans.

Os judeus se agruparam no saguão da estalagem. Uma criança pediu para ir ao banheiro e um soldado se compadeceu olhando para a criança, mas antes que falasse qualquer coisa, a voz de Schwert retumbou no saguão:

_ Se quiserem que mijem e caguem nas calças! Preparem-se para ir ao caminhão. Iremos sair logo!

O relógio apontava 3:45 da manhã e foi nesse momento que uma sirene soou ao fundo. O soldado Hühnlein entrou às pressas no saguão:

_ Paraquedistas, senhor! Estamos sob ataque!

_ Soldado, Hans, leve os judeus ao quarto 88 e os vigie. Se alguém tentar fugir, matem todos eles, gritou Schwert.

_ Vamos! Todos, em suas posições!

_ Sim senhor! Vozes ecoaram no saguão.

A Waffen SS era constituída por soldados muito bem preparados que recebiam seu treinamento desde a escola da juventude hitlerista. Portanto, cada soldado já sabia o que fazer desde cedo. Todos pegaram seus equipamentos e se agruparam na porta da estalagem. Os soldados já começavam a ouvir o som de tiros e explosões ao longe.

Ao sair Schneider olhou para o céu e viu uma imensa nuvem de paraquedistas caindo do céu. O tempo estava chuvoso e toda aquela conversa sobre a invasão dos aliados ser iminente estava se concretizando naquela noite. Nos alto falantes das ruas começaram a tocar o hino da resistência: “Le Chant des Partisans”.

_ Hühnlein, Müller, Hoffman e Schulz vocês ficam a meu lado! Fritz, Norman e Weber, façam o reconhecimento na ala leste. Os demais soldados, protejam o alojamento. Deu as ordens, Schneider.

_ Sim, senhor! Responderam os soldados em uníssono.

A ala leste era mais escura e sombria, pois havia ruas e vielas sem iluminação que se entrecortavam como vasos sanguíneos. Weber era um cabo da SS e portanto liderava essa ofensiva. A demanda avistou uma casa abandonada e um paraquedas estirado ao chão. Fritz avançou demais e foi advertido por Weber.

_ Fritz, abaixa, porra! Pega o binóculo e tente avistar alguma coisa dentro da casa.

Fritz pegou o binóculo e olhou em direção à porta, mas não viu nada.

_ Esse paraquedista pode estar em qualquer lugar. Prestem atenção homens! Continuou Weber.

A formação dos três soldados era como uma centopeia. Cada soldado protegia um flanco. O cabo Weber continuou dando ordens:

_Norman, prepare sua posição, esse calhorda pode estar em qualquer lugar.

O soldado Norman era franco atirador e já havia matado algumas dúzias de soldados durante a guerra. Ele se entrincheirou muito bem atrás de uma lixeira que não o protegia bem, mas podia camuflá-lo perfeitamente. Ali ele montou o seu equipamento de precisão.

_ Ouço barulhos estranhos vindo daquela casa velha senhor! Peço permissão para investigar, disse Fritz.

_Permissão concedida, mas mantenha a posição defensiva.

_ Sim, senhor!

O soldado Fritz saiu de uma viela em direção à casa, mas o seu erro foi confiar demais.

_ A posição de defesa, porra! Gritou o cabo.

Weber não teve tempo de se esquivar. Um tiro na coxa esquerda e uma bala na cabeça acabaram com a sua vida.

Havia um bosque do lado direito da viela. Weber correu para o bosque e assoprou o seu apito bem alto.  Norman manteve sua posição em silêncio. O inimigo não o vira e isso era uma ótima vantagem.

Obergefreiter Schneider e seus três soldados ouviram o apito e correram à ala leste se protegendo de forma estratégica. Depois de quatro quarteirões, o soldado Hühnlein avistou com seu binóculo o paraquedas estirado em frente à casa velha. Ele foi alvejado por tiros de fuzil vindos da casa, mas esses tiros não o acertaram.

Os soldados evitaram aquele caminho e partiram para o bosque. No local os quatro soldados encontraram o cabo Weber que relatou o acontecido. Agora sob o comando de Obergefreiter Schneider os soldados deram a volta ao quarteirão e cercaram a casa, cada um em uma posição estratégica. A liderança de Schneider era diferenciada, seu único erro naquele ataque foi acreditar que havia apenas um soldado inimigo dentro da casa.

O soldado Norman ouviu os tiros contra o agrupamento e avistou duas pessoas atirando de um local na casa que estava em ruínas. Para ele foi fácil atirar contra os inimigos e esmagá-los sem dificuldade. Agora ele só precisava avisar ao Obergefreiter Schneider que havia abatido os soldados. Norman manteve a sua posição naquela noite, o que lhe garantiria a sobrevivência.

_ Hühnlein, jogue uma granada no filho da puta enquanto eu o distraio com o meu rifle, ordenou Obergefreiter Schneider.

_ Sim senhor!

Schneider começou a atirar a esmo para dentro da casa. A armadilha funcionou, pois ele recebeu outros tiros em troca. Enquanto os soldados se alvejavam a esmo, o soldado Hühnlein atirou a granada em direção aos escombros da casa. Ao explodir a bomba ouviram-se gritos de lamentação e dor. Pronto, eles haviam aniquilado o soldado inimigo, pelo menos assim eles pensavam.

Hühnlein se dirigiu à casa e adentrou à porta principal. Mas, para o seu espanto havia dois homens caídos ali. Com uma baioneta ele os espetou para conferir se estavam mortos. Em seguida ele viu mais um corpo à sua frente. O homem estava terrivelmente ferido e havia um fuzil a seu lado. A cena o paralisou por alguns segundos.

No flanco esquerdo da casa os soldados Hoffman e Schulz estavam portando os seus rifles e caminhavam alertas sob chuva, balas e música.

Eles ouviram tiros vindo em sua direção. Schulz foi atingido e caiu morto aos pés de Hoffman. O soldado correu atirando pela rua em desespero e conseguiu atravessar a ofensiva inimiga milagrosamente, e foi se encontrar com Obergefreiter Schneider no sopé do bosque. Foi nesse instante que os dois soldados conseguiram fugir em direção à igreja.

Trecho do livro “Alfred Richardson Queria ir à Guerra”.

Baixem o livro gratuitamente no site da Amazon.com.br.

Luciano Aparecido Marques.

Beowulf, uma história de heroísmo.

O maior e mais antigo poema da Literatura Inglesa Clássica se chama Beowulf. Ele foi escrito por volta do século VII d.C. Beowulf é o primeiro poema épico inglês, composto por, aproximadamente 3000 versos escritos em dialeto saxão.

É possível encontrar boas traduções de Beowulf, das quais eu indico a premiada edição traduzida por Seamus Heaney da Editora W.W. Norton & Company (edição bilíngue – inglês/ anglo saxão).

Características estilísticas da obra.

As principais características do poema Beowulf são as seguintes: o poema é épico, não tem rimas e apresenta aliterações. Veja a seguir o contexto de cada característica:

Poema Épico.

São poemas que circulavam oralmente. O poema épico representa os valores de determinada época.  No caso da antiguidade o homem era homogêneo.

  • A narração épica é difere da narração histórica, pois não é rigidamente uma sucessão ordenada de fatos, fator ao qual chamamos de digressão (desvio de rumo ou assunto). O narrador é sempre um observador distante.
  • O heroísmo: O poema épico deve conter fatos que engrandecem um povo e exaltar os feitos de seus heróis.
  • Assunto nacional: a épica, pela sua grandiosidade e seu simbolismo, deve espelhar o espírito e as virtudes de um povo.
  • O maravilhoso: geralmente há intervenção de deuses, sejam pagãos ou entidades cristãs, já que a ação dos mesmos é necessária para a grandeza e majestade do poema.

Aliteração.

Trata-se de uma figura de harmonia que tem como característica a ocorrência repetida de fonemas idênticos no início, meio ou fim de vocábulos próximos ou distantes, desde que estejam simetricamente dispostos. Apresenta duas ou mais palavras começadas com o mesmo som. Vide o exemplo com destaque nas sílabas aliterativas:

Oft Scyld Scefing \\ sceaþena þreatummonegum gþum \\ meodosetla ofteah…

Kennings.

Outra característica típica do poema é presença de kennings, uma figura de linguagem empregada para referir-se poeticamente a uma pessoa ou uma coisa. O mar, por exemplo, é referido como o “caminho da baleia”, e um rei pode ser chamado de “portador da coroa”.

Resumo e análise da obra.

Beowulf não é um poema sobre a Inglaterra, mas sobre Hrothgar, rei dos dinamarqueses e sobre Beowulf, um jovem oriundo da Suécia Meridional.

Hrothgar encontra-se em problemas, pois seu grande palácio chamado Heorot está sendo atacado por Grendel, um monstro que vive no lago. Devido ao problema, Beowulf vai ajudá-lo a derrotar o monstro. Em certa ocasião, o heróis luta com Grendel e lhe arranca o braço. Este por sua vez foge para o lago.

A mãe de Grendel ataca o palácio na ausência de Beowulf para vingar o filho e mata muitos guerreiros, que na ocasião dormiam embreagados após festejarem a derrota de Grendel. Após o trágico ataque, Beowulf parte com alguns cavaleiros e derrota a mãe de Grendel dentro do lago, de uma maneira fantástica e num lugar fabuloso. Após derrotá-la, Beowulf mata Grendel e retorna para Heorot. Depois de ganhar vários tesouros, o herói retorna para a Suécia.

Após alguns anos, Beowulf se torna rei e tem suas terras invadidas por um terrível dragão. O guerreiro o enfrenta enfrenta e mata, porém é ferido mortalmente. O poema termina narrando o funeral do herói.

A mitologia nórdica.

A mitologia é o passo anterior à formação do direito. Na mitologia nórdica, a moradia dos deuses é o Valhala. Odin é o pai de todos os deuses, rei do fogo e dominador do vulcão. Thor é o filho de Odin e protetor dos Vikings. Ele bate o martelo no chão e engole os guerreiros inimigos. Loki, o irmão não legítimo de Thor, é quem provoca as guerras. Equivale ao diabo, porém não é tão ruim. As Valquírias são as amazonas que moram no Valhala. Nas guerras elas saem de suas moradas para lutar. Quando um guerreiro morre, se for glorioso, sobe ao Valhala. Cabe às Valquírias levá-lo de dois modos:

  • O guerreiro é guiado pelo fogo deixado pelas Valquírias;
  • Quando cremado após a morte, o guerreiro é avistado pelas Valquírias e levado ao Valhala.

Tempo da narrativa.

O tempo da narrativa em Beowulf é cíclico,  ou seja, narrado através de fatos gloriosos do passado dos personagens, por exemplo, quando um personagem vai se apresentar a outro ele fala primeiramente a sua ascendência e todo o seu contexto genealógico.

Paganismo e Cristianismo.

Embora o poema tenha sido elaborado muito antes do cristianismo, alguns monges copistas podem ter acrescentado elementos cristãos na história. O poema é repleto de citações mitológicas e cristãs, como exemplo podemos citar a descrição que o autor faz a respeito de Grendel quando diz que esta criatura é descendente de Caim assassino de Abel, todos personagens bíblicos. Quanto à mitologia nórdica podemos citar como exemplo o palácio Heorot que tem toda estrutura de um templo nórdico.

Luciano Aparecido Marques

Fábrica.

Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes.

Abraham Lincoln

Qualquer proposição filosófica deve seguir uma linha mestra concatenada com fatos anteriores de modo que possa formar um corpo de raciocínio lógico e irrefutável ou pelo menos inquestionável. Mesmo que haja falácias ou até mesmo incoerência de fatos é preciso seguir uma linha de raciocínio lógico até o fim.
          Era deste modo que Lucas conduzia seu pensamento. Sujeito de poucas palavras, muitas ideias e alguma atitude. Pensava, por exemplo, que a terra iria se vingar de todos os maus tratos de que vinha sofrendo. Tinha essa teoria de que para cada folha de árvore, cada gota de água ou qualquer que seja o fruto da natureza desperdiçado de forma voluntária, outro fator orgânico se insurgia como efeito de defesa.

          Certa vez, Lucas explicou aos amigos de boteco que o vírus da dengue teria sido criado como defesa pela destruição dos rios. O Aedes viera tal como Moisés, das águas para a libertação de seu povo sofrido e explorado pela escravidão.
          No entanto, entre um absurdo e outro, o sujeito tinha uma espécie de tratado filosófico, uma suma que aspirava a responder todas as questões práticas. Porém toda essa sabedoria perpétua estava em sua cabeça, afinal o sujeito mal sabia escrever o nome. Sua obra literária resumia-se a bilhetes de recado e anotações de compras.    
          Outro dia estava a trabalhar no turno da noite com seus dois amigos, Faísca e Língua de Cobra. Do primeiro gostava, por ser ligeiro e prestativo, enquanto que sobre o segundo, tinha o sentimento amargo do ódio, pois era fofoqueiro e adorava tirar vantagem das situações e ludibriar ingênuos. 
          Trabalhavam os três no carregamento de caminhões no galpão sete da empresa de bebidas Odre Néctar. Foi entre uma garrafa e outra durante os turnos que Lucas adquirira o vício do álcool.
          Naquela noite não bebera, porém Língua de Cobra e Faísca deram uns goles às escondidas. Lucas operava a ponte rolante enquanto Faísca dirigia a empilhadeira e Língua de Cobra acoplava e desacoplava os ganchos da ponte rolante e com isso carregava os caminhões. Lucas e Língua de Cobra não se falavam, devido a uma briga, fruto de conversa fiada; o boato era de que Lucas havia sido traído  pela esposa. Ele que era o único do setor a não ter apelido, agora ganhara o nome de batismo, Galha. Ninguém ousava chamá-lo de tal alcunha por medo de represália.

          Lucas já havia matado o sujeito que desvirginara sua irmã, pelo menos, assim ele contava. Foi no canavial. Lucas tinha doze anos e o sujeito, um tal de Alencar tinha dezenove. Sua irmã contava com quinze anos. Quando Lucas soube do acontecido tratou de empurrar o infeliz dentro da máquina de moer cana de seu Ernesto. Saiu gritando e chamou pelos pais. No relato disse que encontrou o defunto moído dentro da máquina.
          Voltemos ao galpão. Este era a cenário: o último caminhão a ser carregado era vermelho e tinha uma carroceria irregular com tábuas pregadas no assoalho desgastado pelo tempo. Língua de Cobra estava alegre e falando mal de todos os ausentes ao passo que elogiava os presentes. Já estava um pouco bêbado, quando involuntariamente chamou Lucas pelo apelido. Este que já sabia da alcunha, porém fingia ignorá-la pra que o apelido não pegasse, viu nesta hora a oportunidade de se livrar daquele verme.

          Ele teria apenas três chances. Havia mais três caixas de bebida a serem carregadas e o galpão tinha duzentos metros de cumprimento. Nesta ocasião, Faísca estava em uma extremidade do galpão acoplando ganchos e Língua de Cobra na outra descarregando a carga sobre o caminhão, enquanto Lucas espiava tudo de dentro da cabine da ponte rolante. Fez a primeira viagem após a decisão de extirpar o verme linguarudo e mediu todas as possibilidades e consequências do ato. Se despejasse a mercadoria sobre a cabeça do sujeito seria culpado pelo crime. Se tentasse esmagá-lo contra a carroceria, sofreria as mesmas consequências.

          Realizou a primeira viagem e agora só tinha duas chances, porém contava com dois possíveis empecilhos: primeiro, o turno da manhã já estava para entrar no galpão, às 7:00, no entanto os primeiros funcionários costumavam chegar às 6:30 e o relógio já marcava 6:15h. O segundo empecilho era aquele do início desta narrativa de que Lucas contava com muitas ideias, poucas palavras e alguma atitude. Esta atitude costuma aparecer quando o pobre já tem esgotado o limite da paciência, que em seu caso era quase infinito. 
          Fez a segunda viagem e olhou bem para o Língua de Cobra, calculou exatamente como seria o golpe: viria com o fardo de bebida a meia altura e lançaria a mercadoria contra o verme repulsivo do fofoqueiro que tombaria para dentro da baia de caminhões, com muita sorte ele bateria a cabeça e morreria ou ficaria paraplégico. Depois da ação ele seria levado ao hospital e o doutor falaria o seu nome: Manuel Pereira Gonçalo de Magalhães, horário da morte 9:00, ou seria às 10:00? Não importa, uma  vez que ele morra, está tudo resolvido. 
          Chegou a hora. Arranjou todos os cálculos que havia feito e se preparou para o plano final. Mas onde está o desgraçado? Fora ao banheiro. Dez minutos depois voltou ao caminhão com mais cinco colegas falando mal de tudo e de todos, exceto dos presentes. Na saída os três trabalhadores do turno da noite tomaram café juntos no restaurante da empresa, foram ao  vestiário se trocarem e por fim cada qual pegou seu carro e foram para suas casas. Agora demoraria aproximadamente um ano para que Lucas pudesse tomar alguma outra atitude.

Luciano Aparecido Marques.

Velório de sangue

Desde a primeira vez que Júlio viu o senhor Kokot, ele achou aquela figura muito estranha. O velho vivia engomado, se escondendo dentro de um sobretudo preto e usava uma cartola bem alta. Quem usa um artefato desses em pleno século XXI? Não importa o quão estranho a figura parecia, o fato é que ele era o único da velha casa ao lado que cumprimentava Júlio em encontros esporádicos.

Assim ocorreu na primeira vez em que Júlio cruzou o caminho do velho:

_ Bom dia, Senhor! Hoje o tempo está bom, não é?

_ Está um pouco abafado, meu filho, mas a minha doença me impossibilita de expor a pele ao sol e usar uma roupa mais fresca.

Júlio fitou o velho de forma inquisitiva, procurando saber em sua memória fotográfica se conhecia alguma doença que impossibilitasse alguém de tomar sol, não lembrou de nenhuma e continuou a conversa.

_ Faz tempo que o Senhor mora nesse condomínio?

_ Eu sou um dos primeiros moradores. Muitos vão e vem, mas a minha família já está aqui desde a década de 40. Meus pais construíram essas duas casas antes do condomínio.

Além da peculiar roupa de preto e a cartola imponente, o velho usava um par de óculos escuro bem moderno para a sua idade. Um belíssimo modelo ray-ban daqueles usados na década de oitenta. O sujeito também portava uma bengala, cujo castão parecia ter o formato de uma gárgula de ouro.

_ A propósito, meu jovem, é um prazer em conhecê-lo, meu nome é Jan Kokot, mas você pode me chamar de velho Kokot.

_ O prazer é todo meu, senhor Kokot. Preciso começar a minha caminhada agora. Até logo!

_ Se precisar de algo, pode contar comigo. Minha família é meio tímida, mas logo você se acostuma com eles. Até logo.

O velho se despediu e começou a caminhar a passos muito lentos em direção à calçada que margeava um belíssimo jardim sazonal. Júlio pegou o mesmo caminho, mas acelerou muito na frente do sr. Kokot. A manhã estava quente e não havia ninguém acordado naquele horário.

Júlio havia se mudado a trabalho para aquele condomínio na Borda da Mata há duas semanas e sua casa era emparelhada com a da família Kokot. No dia da escolha do imóvel, Júlio e a esposa tiveram a opção de escolher entre cinco casas de aluguel, no entanto, a que escolheram era escandalosamente a mais barata do condomínio, chegando à metade do preço, afinal eles iriam passar apenas um mês naquela região de Minas Gerais.

A casa em questão ficava na parte mais distante da entrada do condomínio, há uns dois quilômetros de distância. Segundo o corretor, as duas casas foram as primeiras a serem construídas e não faziam parte do condomínio até a década de sessenta em que ele foi ampliado. Os proprietários concordaram em vender o terreno, porém, as casas mais velhas deveriam sempre se manter intactas e o casarão continuaria sendo propriedade da família Kokot, que concordava em alugar uma das residências por um preço mais barato.

Júlio deu a volta inteira no quarteirão encontrando as casas mais próximas da construção nova que margeavam o jardim. Para a sua surpresa, encontrou o senhor Kokot, e o que viu o deixou espantado, o velho andara quase oitocentos metros! Como ele poderia ter feito isso em tão pouco tempo? Júlio guardou esse detalhe para si e não compartilhou com ninguém – aquilo seria maluquice da sua cabeça!

Um mês após o encontro, e na véspera de deixar a casa e retornar para São Paulo, Júlio ficou apreensivo com uma notícia espantosa. Ao sair para a sua caminhada matinal, encontrou algumas pessoas em frente à casa do sr. Kokot, o que não era muito normal. Eram uma dúzia de sujeitos muito esguios e altos vestindo roupas de gala. Algumas mulheres choravam, enquanto as crianças ignoravam a todos.

Júlio fez a sua caminhada e voltou após os habituais trinta minutos. Ao se dirigir à garagem, foi interpelado por um dos filhos do senhor Kokot, um homem peculiar que nunca havia conversado com Júlio antes.

_ Senhor, desculpe interrompê-lo, mas acho que o senhor precisa saber que o meu pai faleceu na noite passada e iremos velar o seu corpo nessa tarde aqui em casa. O senhor era a única pessoa com quem ele conversava, então achei importante avisá-lo.

Júlio ficou surpreso com a morte de Kokot, e expressou suas condolências ao filho afirmando que iriam ao velório de Kokot, sem dúvida.

Júlio voltou à sua casa e encontrou a esposa Vanessa dormindo. Foi ao chuveiro e tomou banho enquanto a água do café esquentava. Tomou o seu café matinal e respondeu alguns e-mails. O relógio soava 9:00 da manhã. E o sábado estava muito agradável para ficar dormindo até tarde, então Júlio se deitou ao lado da esposa e começou a chamá-la.

_ Amor, amor… Deu duas mordiscadas na orelha direita da esposa. Acorda, o dia está maravilhoso, sussurrou em seu ouvido.

Vanessa acordou muito excitada com aquela abordagem. Os dois fizeram amor e deitaram-se um ao lado do outro por alguns minutos. Vanessa deitou-se com a cabeça sobre o peitoral de Júlio que disse apreensivo:

_ Vanessa, não podemos voltar hoje.

_ Como assim, Júlio? Precisamos ir para São Paulo hoje!

Júlio sabia que a esposa estava muito ansiosa para voltar ao apartamento em São Paulo, onde deixara os pais cuidando de tudo até voltarem.

Vanessa sentou-se na cama esperando uma explicação sobre o fato de terem de passar mais uma noite naquele lugar. A verdade é que ela não gostava daquela casa, pois relatara diversas vezes ter visto vultos e ouvido sons estranhos em vários locais, principalmente no sótão.

_ O senhor Kokot faleceu na noite passada e precisamos ir ao velório. É um sinal de respeito, explicou Júlio.

Vanessa pôs-se a chorar e disse:

_ Respeito com quem? Essa família é maluca! Ninguém dá atenção a nós. As crianças vivem gritando e correndo! Ou você esqueceu das noites em que passamos em claro por causa daquele violino infernal! Eu vou embora hoje, se você quiser ficar é um problema seu!

_ Eu já lhe disse que essas ideias são fruto de sua imaginação. Isso é o efeito da saudade de seus pais, mas logo estaremos juntos. O senhor Kokot me ajudou muito nesses tempos difíceis!

A mulher continuou a tentar dissuadir o marido daquela ideia maluca de ir ao velório de um desconhecido, mas Júlio possuía aquele caráter irresoluto dos imperadores romanos e a esposa teve de ceder.

Às 22:00 horas, a campainha dos Kokot soou. Uma criança com olhar distante abriu a porta. Júlio e Vanessa entraram na casa.

Toda a cena lúgubre se resumia a um cômodo. Nas paredes havia vários retratos de família pintados a óleo. O solo era de taco de carvalho e havia um carpete muito pomposo no centro da sala de estar. Tratava-se de um artefato belíssimo decorado com arabescos moiros.    

Um rapaz muito alto e pálido tocou o ombro de Júlio com sua mão direita e disse:

_ Meu pai ficaria feliz em saber que o senhor e sua esposa vieram. Agradecemos por sua presença nesse momento triste.

Prontamente o casal desejou ao homem suas condolências. A cena era funesta. Uma mulher muito velha passava pela sala de tempos em tempos com uma bandeja de cristal repleta de quitutes e bebidas que eram servidos aos convidados, que contavam com aproximadamente umas vinte pessoas, todas bem vestidas em trajes de gala.

No meio da sala estava o caixão de carvalho do senhor Kokot, que era decorado com insígnias que Júlio não compreendia, exceto pelos símbolos judaicos presentes não apenas no caixão, mas em todo o cômodo: Menorás, estrelas de Davi e um shofar pendurado na parede atrás do cadáver completavam a cena.

Vanessa estava completamente desconfortável e ao contrário de Júlio, era muito religiosa. Sempre trazia em sua bolsa o terço de madrepérolas que ganhara de sua madrinha de batismo.

O casal procurava se enturmar para não ficarem tão deslocados. Iam passando pelas pessoas enlutadas e prestavam suas condolências.

A noite se estendia e parecia que o casal estava sob alguma espécie de hipnose, pois não perceberam que o antigo relógio de pêndulo acabara de soar doze badaladas. Como puderam ficar naquele lugar por aproximadamente duas horas sem perceber?

Júlio fez menção de se despedir do séquito e se deu conta de que não havia olhado para o defunto ainda. O casal se aproximou do caixão e tiveram uma surpresa. O caixão estava vazio!

Da escadaria lateral começaram a descer algumas pessoas. Júlio reconheceu o corretor de imóveis e alguns moradores do condomínio que ele já havia visto algumas vezes.

Vanessa, Júlio, o corretor de imóveis e os outros moradores foram acuados no centro da sala, ao lado do caixão. O séquito de gala foi se aproximando. Seus olhos ficaram vermelhos, suas bocas se abriram e era possível ver presas salientes saltando de suas gengivas protuberantes.

Senhor Kokot gritou de forma bestial:

_ Hora do jantar, irmãos!

Todos os convivas se atiraram contra as vítimas que estavam em transe. A única que parecia estar em si era Vanessa que agarrou seu terço e saiu correndo pela sala ignorada por todos. Atravessou a porta de entrada, correu para a sua casa, entrou no carro estacionado em frente ao jardim e saiu em disparada.

Luciano Aparecido Marques.

Projeto de literatura/ parte III – The Canterbury Tales.

Sugestão de projeto para o Ensino Fundamental.

Podemos encontrar boas adaptações de “The Canterbury Tales” em português, como:

* Os contos da Cantuaria;

* Os Contos de Canterbury.

Um dos contos mais importantes da obra é o conto do cavaleiro. Este conto pode ser trabalhado com alunos do ensino fundamental II. É possível trabalhar temas como: amor, honra, tradição medieval, aventura, valores morais e o papel da mulher nos contos de cavalaria.

Características Gerais da obra.

The Canterbury Tales foi escrito por Geoffrey Chaucer (1343-1400) no século XIV. O autor, considerado o pai da poesia inglesa, foi um poeta erudito e pré- renascentista inglês, que conhecia as obras latinas, italianas e francesas. Chaucer não se interessou apenas por livros. Ele viajou muito e fez um bom uso de seus olhos, criando personagens que se parecem com pessoas reais. Canterbury Tales é uma obra  composta por contos com temas medievais e outros que chegam à contemporaneidade.

Resumo do conto do cavaleiro.

Teseu, o grande duque de Atenas, conquistou o reino das amazonas chamado Cítia. Após a conquista, o soberano trouxe consigo a rainha Hipólita, com a qual se casou, e a sua irmã Emília. Quando retornava da conquista, encontrou algumas mulheres que clamaram para que ele atacasse o reino de Tebas do qual Creonte havia se tornado soberano. Teseu assim o fez, e após a derrota de Creonte encontrou dois cavaleiros, seus rivais, feridos. Seus nomes eram Palamon e Arcite. O rei os levou para Atenas sob a condenação de prisão perpétua.

Certo dia Palamon, que estava enclausurado em uma torre com o amigo Arcite, avistou a bela Emília por quem se apaixonou e chorou por não poder possuí-la. Ao ver essa cena, Arcite também olhou pela janela da torre e se apaixonou por Emília. Ambos brigaram por ciúmes de um amor que naquela altura era impossível para os dois.

Por intermédio de Piríto, um nobre duque amigo de Arcite, este pôde ser solto da prisão com a condição de nunca mais retornar à Atenas novamente. Entregues à tristeza, Palamon e Arcite sofreram por amor. Um podia ver sua amada todos os dias, porém, preso sem poder tocá-la. O outro embora tivesse a liberdade nunca mais poderia ver a sua amada novamente.

Em Tebas, Arcite ficou por muito tempo definhando por amor, até que uma noite, o deus alado Mercúrio apareceu em seus sonhos e ordenou-lhe que voltasse para Atenas. Ele obedeceu ao deus e retornou para Atenas com o nome falso de Filóstrato. Lá, pôde servir Emília diretamente como pajem de câmara.

Palamon escapou da prisão por intermédio do amigo, e quando estava a fugir deparou-se com Arcite, que já era escudeiro principal do rei, ambos discutiram es marcaram uma luta para o dia seguinte. Durante a peleja eles lutaram ferozmente e foram avistados por Teseu no bosque do palácio. O duque de Atenas tomou partido de toda a história e preparou um grande combate que definiria qual seria o amante de Emília. Teseu construiu uma grande liça com esse esquema: no oriente construiu um altar para Vênus, deusa do amor; no ocidente construiu um altar para Marte, deus da guerra; ao norte construiu um altar para Diana, deusa da castidade.

Antes de guerrear Palamon fez sua oração no altar de Vênus, Arcite no altar de Marte e Emília no altar de Diana.

Arcite venceu a batalha, mas por intermédio dos deuses sofreu um acidente. Caiu do cavalo no momento em que comemorava a vitória e morreu, deixando Emília para Palamon.

Características da narrativa.

Apresentação – O plano apresenta um plano real e um mítico.

No plano real o tempo se dá entre a primavera e o verão. O espaço é a Inglaterra. As personagens são os peregrinos. No plano mítico o narrador é épico (ex.: “Antigamente como narram velhas crônicas…”).

No conto do cavaleiro o espaço é a Grécia antiga e os personagens são:

Teseu: duque de Atenas.

Hipólita: amazona, rainha da Cítia, esposa de Teseu e irmã de Emília.

Palamon e Arcita: dois amigos tebanos, que se tornam inimigos na disputa pelo amor de Emília.

Emília: irmã de Hipólita, amada por Palamon e Arcita.

Amor: amor que Palamon e Arcita sentem por Emília.

Morte como libertação, morte como redenção e intrigas – Ex.: na Literatura Portuguesa a mulher é intocável, pois é a imagem de Maria. Na Literatura Inglesa a mulher é intocável devido a uma briga interminável entre dois pretendentes. A solução para esse amor intocável é a morte, que não é negativa, começando a entrar na ideia do tempo linear.

Paganismo e Cristianismo – podemos ver as duas características no final do texto, quando o narrador diz a palavra amém, depois de vários episódios pagãos.

Personificação dos sentimentos – no texto todos os sentimentos aparecem em letra maiúscula, seguindo a ideia dos gregos. Segundo eles, os sentimentos não são abstratos, mas concretos. São pessoas que agem. O teatro grego utilizava a catarse1 que servia como expressão dos sentimentos, por isso eles eram personificados.

Desmembramento do narrador – no decorrer da história o narrador se desmembra em vários outros narradores, vide o esquema:

(Autor = narrador em 1º pessoa = personagem 1 = narrador em 1º pessoa = personagem 2 = narrador em 1º pessoa …)

Versificação – Chaucer introduziu em sua obra o esquema de versos spencerian stanza que apresenta seis versos em cada estrofe, com o esquema de rimas aabbcc, em tons forte e fraco.

Por fim, o conto do cavaleiro é uma obra de grande valor estético e pode proporcionar debates muito ricos em sala de aula.

Luciano Aparecido Marques.

Tráfico.

“Com o engodo de uma mentira, pesca-se uma carpa de verdade.”

William Shakespeare

João tentava não se concentrar nas pessoas ao redor. O seu foco era passar pela alfândega. Ele sabia que o aeroporto internacional de Guarulhos em São Paulo possuía câmeras espalhadas por todos os lugares e a polícia federal ficava atenta ao monitoramento.

Sorrindo e falando ao celular, João era uma figura acima de qualquer suspeita. Moreno de olhos amendoados e com um corpo esbelto de um metro e noventa de altura, sua postura de líder era potencializada pelo traje executivo. O terno Armani azul marinho e o Rolex dourado expressavam seu status quo. Qualquer um que cruzasse o seu caminho o julgaria como alguém muito importante e rico.

Pegaria o voo B312 no Airbus da American Airlines e agora caminhava confiante com uma mala executiva que comprara em sua última viagem a Nova York no verão de 2018.

Sentou-se no saguão próximo ao portão B de onde sairia o voo B312. Falava ao celular e sempre sorria. A sua arma mais eficiente era a auto imagem e a confiança. Uma morena muito bonita sentou-se a seu lado assim que ele desligou o celular.

A mulher era o que costumamos chamar de “mulherão”. Usando um terninho feminino cinza com saias da mesma cor, que lhe contornava a silhueta de forma muito sexy.

João encarou a mulher com uma postura provocativa. Possuía o charme de sorrir com um canto dos lábios para provocar as mulheres.

_ Bom dia, querida. Você está acompanhada?

_ Agora estou, falou a mulher sorrindo.

_ Posso lhe oferecer um café sofisticado no Starbucks? Em troca eu ganho a sua companhia.

Amanda aceitou o convite de prontidão.

No Starbucks os dois trocaram olhares e palavras. Amanda olhava para João de forma um pouco recatada, enquanto ele a olhava de forma provocativa e confiante. Nunca desviava o olhar e sempre sorria. Entre um assunto e outro não demorou para que os dois estivessem se beijando.

Amanda sentia um prazer imenso. Até aquele momento nenhum homem a havia tratado com tanta gentileza e confiança. Eles costumavam evitá-la, talvez por sua beleza estonteante que impressionava e intimidava alguns homens, não João.

O relógio marcava 10:00 e o anúncio de embarque já havia sido feito. Os dois continuavam no Starbucks. Amanda se levantou e disse que precisava ir ao banheiro, João fez a mesma coisa. Em seguida os dois se separaram por um instante.

João comprou uma rosa lindíssima na floricultura do aeroporto e também uma caixa de bombons com licor.

Amanda estava excitada pois aquela era a sua primeira viagem internacional e ela acabara de conhecer um homem fantástico. No banheiro ela retocou a maquiagem e passou mais um pouco de perfume. Sua lingerie era apropriada, mas que loucura, pensou! Teria coragem de sair com aquele homem no primeiro encontro? Bem, nunca havia se deitado com um homem no primeiro encontro, mas com João havia uma química diferente. Talvez poderia ser o início de uma nova vida.

Amanda saiu do banheiro e não encontrou João no saguão. Era muito estranho, pois sua mala ainda estava na mesa do pub e o portão de embarque fecharia daqui vinte minutos. Eles ainda teriam de passar pela alfândega. Esperou por dez minutos e decidiu pegar a maleta de João. Os dois se encontrariam no avião.

Dirigiu-se à fila da alfândega. Havia apenas quatro pessoas na fila: uma família com três pessoas e uma senhora muito obesa. Amanda foi interpelada por dois policiais.

_ Moça, precisamos ver a sua mala. Houve uma acusação anônima.

_ Desculpe-me policiais, mas essa mala não é minha. É de uma pessoa que eu conheci e…

_ Precisamos olhar a mala, agora, senhora!

Amanda entregou a mala aos policiais e para a sua surpresa ela estava cheia de bolinhas de papel e bem no fundo havia dois papelotes de cocaína. A mulher ficou pálida e começou a suar frio dizendo:

_ Essa mala não é minha! Eu conheci um homem hoje. O nome dele é João. Por favor policiais, vocês podem olhar as câmeras. Ele está no mesmo voo que o meu. Pelo amor de Deus!

Os policiais levaram a mulher ao departamento de polícia do aeroporto. O policial Diaz pediu para que o voo B312 fosse interrompido. Uma viatura partiu à pista de pouso para inspecionar o avião e não encontraram ninguém suspeito. Não havia nenhum João.

Na chegada ao aeroporto de Fort Worth em Dallas, a senhora Selma de Carvalho precisava ir ao banheiro. Era muito obesa e mesmo com o calor de 22 graus estava muito bem vestida com roupas pesadas de frio. Dona Selma entrou no banheiro e nunca mais saiu de lá.

Doze horas depois do café prazeroso com Amanda, João estava hospedado no hotel mais luxuoso de Dallas comendo bombons de licor.

Não era uma ação tão prazerosa, mas em algumas horas precisaria inspecionar a própria merda para pegar as cápsulas de heroína que trouxera no estômago.

No Brasil, Amanda foi acusada de tráfico de drogas e pegou cinco anos de cadeia por ser réu primária e o que sobrou de dona Selma foram alguns enchimentos e almofadados no banheiro feminino do aeroporto de Dallas e junto com eles uma rosa bem vermelha.

Luciano Aparecido Marques.

Remédio para a desesperança

O passado são imagens irreais

Já não deve atormentar-te mais

E a vida que se descortina agora

Essa importa a lágrima que choras

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Se um dia o passado reger a sua vida

É sinal de que tu morreste lá

Ficaste entocado na guarida,

No covil de onde nunca sairás

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Mas, se contente

Resolveste a vida

Começar

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Um novo ser vivente

Da esperança

Nascerá

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Lute, ame

Inspire, faça…

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Não desista,

Sua vida é preciosa!

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Está na hora,

Renasça!

Luciano Aparecido Marques