Sonho.

Desejo que teu sonho,

Recheado de VERBOS de ação

Suplante teu olhar tristonho

Trazendo-te paz ao coração.

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Com ADJETIVOS doces

Tal sonho cumpra sua função,

Que agregada de bons valores,

Evoque em ti beleza e mansidão

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Com ADVÉRBIOS calmamente

Possa tal imagem onírica

Trazer-te paz presente

E elevar-te além da existência física

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Que teu PRONOME principal

Não seja apenas um “eu” atroz

Mas que percebas sem igual

O poder que está no “nós”

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Hosana! Que exale em ti perdão

E que tal desejo astuto

Vindo à vida INTERJEIÇÃO

Torne a ti um ser mais justo!

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Deixando de Orfeu os montes,

Ainda em sonho embriagado,

Possa tua alma a Caronte

Pagar em NÚMEROS o retorno de barco  

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Observes a travessia ao largo,

E escrevas em teu coração um ARTIGO!

Ao tomar a margem do outro lado

Possas transformar o que vistes em SUBSTANTIVOS!

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Não tenhais medo do trajeto

Pois a PREPOSIÇÃO dos astros

Alinhados no útero do tempo tal qual feto

Hão de tornar tal sonho um ato!

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A tal travessia seja dada em CONJUNÇÃO

Paz, amor, perdão e bem.

Tua alma, em plano real então,

Receba o sol da janela, amém.

Luciano Aparecido Marques.

Smile!

Simply smile!

Then, into  the time deep cliffs

Will fall your solitary soul.

At that moment you’ll achieve

A feeling you’ve never felt ago.

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Simply smile!

And you’ll see that life pain is worth it!

The coming and going dance of existence

May become clear if you show your teeth

In a large smile of gratitude for God’s providence.

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Simply smile!

So, at the time of your farewell

Your friends will look at the sky

And they will be able to see in a while,

Shining brightly there will be your smile!

Luciano Aparecido Marques

Fluxo

Não há alma que aguente

O mal fluxo dormente,

Em cujos esteios

E anseios malfadados

Encarcera a energia vital da mente.

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O desejo repreendido não escorre.

Fica preso na garganta,

Forma bola no estômago,

Atrapalha a pulsão vital

E, em apenas um segundo

A má fase, o tédio o luto

A invasão periférica do medo

Interrompem tudo de bom que pode vir a ser.

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A vida, pois, é movimento,

É vontade!

É ação!

Não morras antes do tempo!

Deixe fluir com sabedoria a energia vital.

Dê a suas potencialidades

A chance cósmica que elas merecem.

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Só assim, na ação e no amor,

Poderás deixar o fluxo vital

Tomar seu rumo e preencher a existência

Tal como ela deve ser.

Luciano Aparecido Marques

Canalhas!

“Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.”

Joseph Goebbels

Não havia nenhuma forma de conter a agressividade dos jovens da Rua dos Morgados. O mais perigoso do bando era Zé Antônio. Cara amassada e pescoço encolhido para dentro dos ombros, com uma expressão de espantalho oco. Tivera sua infância roubada nos tempos em que morara em Feira de Santana. O sorriso tomava-lhe a cara sempre que estava em ação. Por isso o apelido de “sorriso do diabo”!

Marcelina era o engodo de dezoito anos. Suas pernas torneadas e o corpo estrutural eram a isca perfeita para os patifes do submundo da prostituição. A cada vítima que fazia, ela ganhava uma joia do irmão Marcelo Grandão. Por isso já contava com tamanha quantia de anéis e colares que já podia até abrir uma joalheria, o que inclusive figurava em seus sonhos difusos.

Marcelo Grandão era quem controlava o esquema do golpe do morro dos Aimorés. Extorquira muitos para chegar lá e com certeza não hesitaria em tirar vidas.

O esquema era o seguinte, atrair qualquer vagabundo calhorda e pedófilo ao ninho de cambraia de Marcelina e depois roubar seus pertences, dignidade e a vida pessoal. Quem se importava com esses calhordas, afinal eles não eram melhores do que o bando!

Naquela noite a próxima vítima ao que tudo indicava se chamava Armando Nogueira. Marcelo sempre conseguia a informação no site de relacionamento e com a ajuda do senhor X, cujo rosto o bando nunca vira, ele hackeava todas as informações do contratante. Depois era só depenar tudo o que ele possuía, bens, dinheiro e dignidade. Era um jogo muito rentável.

A última vítima era um tal de Manuel Dias. Casado, pai de três filhos e dono de uma revendedora de automóveis. Presa fácil que até hoje depositava trezentos reais por semana para ter sua “honra” encoberta.

Marcelina nunca chegava a consumar o ato, porque sempre que a vítima chegava ao quarto de hotel ou motel, era interceptada por Zé Antônio, que fazia o trabalho sujo com a arma que roubara do avô aos quinze anos de idade. Tinha sido muito fácil até o cliente Armando Nogueira aparecer.

Agendado o encontro para sexta-feira do dia 13 de novembro, o tal Armando contratou os serviços de Marcelina por mil e duzentos reais, o valor mais alto pago até aquele momento.

O bando passou o dia pelas redondezas, na vila das Araras. Almoçaram juntos no requintadíssimo restaurante dos Silva e depois passaram no Shopping Central para comprar a joia da Marcelina.

_ Mana, você precisa comprar essa joia antes do negócio, mesmo? Resmungou Marcelo Grandão.

Com um olhar de fogo atento às artimanhas do irmão, Marcelina respondeu:

_ Você sabe que eu só trabalho depois de ter a minha recompensa, não é?

_ Você já deu de graça para um monte de marmanjos, agora fica exigindo cota! Porra, você nem vai dar para o sujeito!

_ Vocês estão falando alto demais! Querem estragar tudo? Sussurrou Zé Antônio.

_ Ou compra a joia ou estou fora! Esse sempre foi o combinado! Respondeu Marcelina.

O bando se dispersou depois de ter comprado a tal joia. E marcaram o encontro no local indicado. Marcelo pegaria o tal do Armando no terminal de ônibus Central e depois o deixaria no Hotel Cambraia conforme o combinado. Zé Antônio esperaria no quarto para surpreender o casal que se encontraria no saguão do hotel e depois começariam a tortura psicológica e o roubo.

Armando era muito diferente dos demais. Em geral os clientes eram mais velhos e não possuíam boa aparência. No entanto Armando era uma mulher de aproximadamente vinte e cinco anos de idade e parecia uma modelo dessas de comercial de tevê.

Possuía um leve sotaque espanhol que Marcelo Grandão percebeu logo de cara. No caminho ao hotel, Marcelo conversou com a cliente como se não soubesse de nada. Era parte do esquema que o contratante possuísse um motorista que o levasse ao local indicado para não causar nenhuma suspeita.

_ Desculpe-me a intromissão, minha querida, mas você vem à nossa cidade a negócios? Perguntou Marcelo.

_ Sim, meu caro. Ficarei hospedada no hotel essa noite, mas partirei logo pela manhã. Você pode me buscar às 5:00 da manhã? Você sabe, eu preciso de sigilo nos meus negócios, ok?

_ Você não vai passar a noite no hotel, sua puta, pensou Marcelo e em seguida respondeu: é claro, minha querida, estarei esperando no saguão.

Marcelo deixou Armando na porta do Hotel. A mulher o presenteou com uma caixa finíssima de drageados de chocolate com licor.

 Marcelo partiu para casa que ficava a poucos quarteirões dali. Acendeu o cigarro e estacionou o carro na garagem. Não desceu do veículo, porque sabia que o esquema sempre durava menos de uma hora, período em que voltaria ao hotel para pegar a irmã e o amigo. Ligou o rádio e começou a ouvir música ao mesmo ao tempo em que devorava os deliciosos drageados.

No saguão do hotel, Armando conheceu Marcelina que a acompanhou ao quarto. Na chegada ao local, a contratante disse:

_ Querida, eu preciso ir ao saguão, pois esqueci de uma coisa que será muito especial.

_ Pois não, linda! Irei me preparar todinha para você. Respondeu Marcelina.

No banheiro do saguão, a senhorita Armando retirou uma pistola semiautomática de uma cinta que carregava debaixo de seu terninho e nela instalou um silenciador. Depois disso urinou e assobiou “Satisfaction” do Stones. Voltou ao quarto sem lavar as mãos.

Ao entrar no quarto ela se dirigiu direto ao closet onde Zé Antônio estava escondido, abriu a porta do móvel sem que Zé pudesse reagir e disparou um tiro a queima roupa na cabeça do sujeito que caiu no chão com os olhos lânguidos de cor de suco de limão.

Ao ouvir a queda, Marcelina saiu do banheiro e foi abordada por Armando que disse:

_ Eu tenho três serviços para você. Se me obedecer, você viverá para ver o dia de amanhã, senão eu te mato aqui mesmo.

Marcelina se assustou muito e chorando respondeu:

_ Sim eu vou colaborar. O que você quer de mim?

_ Primeiro você vai me ajudar a esconder esse corpo e vai ligar para o seu irmão dizendo que está tudo sob controle e que ele pode vir me buscar no horário combinado. Depois você vai trepar comigo! Por fim eu irei para casa e iremos esquecer que isso aconteceu, ok?

_ Tudo bem, mas não me machuque, por favor!

As duas esconderam o corpo de Zé Antônio no closet e Marcelina ligou para o irmão:

_ Mano, eu já consegui extorquir a safada! Você pode vir nos pegar às 5:00 amanhã de manhã?

_ Você está maluca! Porque devemos esperar tanto tempo?! Cadê o Zé? Eu quero falar com ele! Respondeu Marcelo Grandão.

Armando tomou o telefone da mão da Marcelina e disse a Marcelo:

_ Acabou, seu filho da puta! Eu tenho a sua irmã e se você não fizer o que eu mandar, ela vai virar presunto junto com o seu amigo.

_ Se você tocar em um fio de cabelo da minha irmã, eu te mato!

_ Eu já estou morta, meu filho. Eu não sou nada para o Estado. A minha ficha nem sequer existe. Eu tenho vários nomes, eu posso ter várias faces e posso estar em vários lugares ao mesmo tempo.

_ Eu vou te pegar, sua puta! O que você quer que eu faça?

_ Você vai transferir um milhão e meio para a conta que eu vou lhe passar. O banco e a agência são…

_ Eu vou transferir agora, mas eu preciso da autorização do banco para transferir todo esse valor.

_Foda-se! Dê os seus pulos. Aliás, você gostou do chocolate? Ele contém uma toxina altíssima, cujo antidoto está na minha bolsa. Você tem até às 5:30 para resolver tudo, enquanto isso eu vou me divertir um pouco.

Marcelo sabia que não conseguiria a transferência, então entrou em casa e foi até a parede falsa do quarto onde escondia todo o dinheiro vivo dos roubos. Estava suando muito e com muita dor de cabeça. Não sabia se aquilo era psicológico ou se era efeito do veneno. Por que foi comer aquela porcaria?

Colocou um milhão na mala e ligou para a irmã, que não atendeu.

No quarto do hotel, Marcelina ficava pela primeira vez com uma mulher. No princípio sentiu estranho, mas depois se entregou. Armando era forte e conduzia a relação de forma perfeita! Nenhum homem a fizera sentir tanto prazer antes!

O telefone celular tocava enquanto as mulheres se entregavam ao prazer inebriante. Não atenderam ao chamado.

Com a arma ao pé da cama e um tom de autoridade militar, Armando ordenou:

_ Tome o seu banho e prepare-se, pois agora você trabalha para mim.

Às 4:00 da manhã, Armando atendeu a ligação do celular. Era Marcelo:

_ Consegui um milhão em espécie e programei a transferência de meio milhão fracionado em dias. Agora solte a minha irmã!

_ No encontro do saguão você poderá vê-la. Assim que eu pegar o dinheiro e eu lhe entrego o antídoto.

Às 5:00 em ponto, Marcelo Grandão estava sentado no sofá do saguão suando feito um porco e com muita dor de cabeça. Armando foi de encontro a ele e lhe entregou uma necessaire pedindo para que ele a abrisse apenas depois que ela partisse dali.

_ A sua irmã está dentro do closet do quarto. Tenha um ótimo dia!

Marcelo pegou o cartão do quarto e furtivamente dirigiu-se a ele. Abriu a porta e entrou no ambiente. Estava asseado. A cama estava arrumada e cada coisa estava em seu lugar. Armando estava tão tonto que se sentou na cama e abriu a necessaire rapidamente. Sem pensar, retirou um frasco de dentro dela e tomou o conteúdo líquido que ali estava. Em seguida abriu o enorme closet e entrou nele. No canto direito e postado sobre a sapateira estava uma arma, a mesma usada para matar Zé Antônio. Marcelo a pegou e investigou.

Armando encontrou Marcelina no estacionamento do Hotel, conforme o combinado. Em seguida as duas entraram no Porche preto estacionado ao lado do táxi de Marcelo e partiram para o seu próprio destino.

Sirenes soavam ao fundo quando Marcelo encontrou o corpo sem vida do amigo dentro de um saco de dormir. Seu rosto estampava um sorriso, o “sorriso do diabo”. Havia um cartão preto em cima da cabeça do homem. No cartão estava escrito “Mr. M”. Desesperado e com a arma na mão ele correu para a porta, mas foi interceptado por policiais que gritavam:

_ Para o chão! Vamos! Largue a arma e coloque as mãos para cima. Vai, vai!

Marcelo viu sua fonte de riqueza secar. Ajoelhou-se com as mãos atrás da cabeça e dali foi levado a passar o que seria o resto de sua vida miserável na cadeia.

Luciano Aparecido Marques

Genius!

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

Luis Vaz de Camões

Camões

Oh, vernacular which has penetrated the intellect

And has caused an amount of thoughts .

The last flower of Latium we have gathered

From the Roman Empire and spread it abroad.

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Poems, novels, essays and philosophical treatises

Have already been written in such a graceful vernacular,

But a more impressive fact which makes it so singular

Is that we keep on listening to beautiful verses increasing!

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The genius of form

Who was able to compose

The most beautiful verses!

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The one who was born

To mix sound and taste

And produce the most delicious

Vernacular cakes

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The one whose geniality

Worth more than a billion coins

And whose name itself is poetry

An old and good iambic: Camões!

Luciano Aparecido Marques

Luís Vaz de Camões as Camoens or Camoëns, is considered Portugal‘s and the Portuguese language’s greatest poet. His mastery of verse has been compared to that of ShakespeareVondelHomerVirgil and Dante.

https://en.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Cam%C3%B5es