Crônicas de um diabético.

A cultura nos adoça e adoece.

Gente do céu,  a fome de um diabético não é por alimento, mas por carboidrato. Falo isso como marinheiro de primeira viagem. Recebemos um choque quando o médico diz “Meu filho, tu és diabético. Agora não poderá mais comer doces e terás de tomar remédio a vida toda”. Convenhamos, a sentença é quase a morte, certo? Errado!

Depois de receber a sentença acima a minha qualidade de vida começou a melhorar exponencialmente. Primeiro, porque eu decidi que seria feliz independentemente das circunstâncias; segundo, porque a vida após os 40 anos é uma escolha; ou você passa a vivê-la com mais intensidade, amor e longevidade, ou já compra o passaporte da morte dolorosa aos poucos.

O diabético tipo 2 como eu tem basicamente 2 escolhas e para isso utilizo um trechinho do salmo 1 :

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”.

Sl 1,1-2

Nós, diabéticos tipo 2 poderíamos com todo respeito acrescentar a essa recomendação divina o seguinte texto:

“Bem-aventurado o diabético que não consome carboidrato refinado, glicose e comida industrializada. Antes tem o seu prazer nos carbos fibrosos e de baixo índice glicemico, o consumo adequado de proteínas, bem como o consumo de água adequado e os exercícios físicos para seu bem estar e saúde”

O maior desafio para nós,  irmãos, somos nós mesmos. Digo isso com conhecimento de causa. Quando descobri a minha diabetes tipo 2, eu mudei tão drasticamente a minha rotina diária, que não me reconheço mais e, para isso você não precisa e nem deve querer mudar a cultura de consumo hiperglicemico da sociedade ocidental. Quem deve mudar é você!

Proponho-me a escrever uma série de crônicas sobre o assunto que é muito sério e requer um cuidado diário. Porém, sem perder o humor, caminharemos juntos nessa série “Crônicas de um diabetico” na qual irei apresentar situações para lidar com essa doença nutricional, que, por pior que possa parecer, pode se transformar em benção nas nossas vidas.

Comecemos com o dia fatídico…

Sete horas da manhã.  Após uma noite mal dormida um belo café da manhã “saudável”. Pão integral com margarina vegetal e café com leite adocicado. Para arrematar, um belo pedaço de bolo industrializado, afinal é necessário comer bem para lidar com o dia estressante.

Chego à clínica médica com o exame de glicemia em jejum exemplar. Todo orgulhoso, entrego nas mãos da doutora endocrinologista que olha atentamente ao exame. Faz alguns comentários que a princípio ignoro, afinal a minha vida tem sido um poço de alimentação saudável: produtos light, diet e com zero açúcar.

A doutora percebe minha falta de atenção e como uma mãe a dar bronca no filho adverte:

_ Olhe bem para mim! Nos meus olhos! Sua hemoglobina glicada está quatro vezes maior do que o padrão. O senhor está diabéticos!

Sem compreender o veredito final acompanho todas as recomendações com atenção e saio do consultório triste.

O que fazer agora, meu Deus? Não vou poder comer as delícias pelas quais eu era viciado a vida toda? E agora?

Passo na farmácia e compro o remédio prescrito. Daquele dia em diante a minha vida começa a mudar e, acreditem, para melhor.

A mente funciona como o farol da alma, o olho do espírito, que deve guiar o corpo com sabedoria. E nesse caso, era questão de vida ou morte.

Deixe-me apresentar-lhes o diabetes. Eu o conheço há alguns anos, pois perdi entes queridos para essa doença.

Sempre achei que diabetes eram as chacretes do diabo. E até que eu não estava tão errado! Essa doença, em se tratando de diabetes tipo 2 é meramente nutricional e oriunda de maus hábitos, ou seja, se você a possui, saiba que o caminho para a cura também é nutricional e se cura com bons hábitos.

Sempre achei que diabetes eram as chacretes do diabo. E até que eu não estava tão errado!

Luciano

O primeiro hábito que um diabético tipo 2 deve assumir é a frase: “estou diabético” e não “sou diabético “. Assumir essa premissa é importante, pois é a partir dela que começamos a nossa cura.

É importante também seguir a prescrição médica quanto à medicação e mudar os hábitos alimentares. Lembre-se, você não é diabético, você está diabético, ou seja, essa condição é temporária.

Termino esse primeiro texto deixando um link do médico dr. Patrick Rocha, especialista em diabetes, que irá ajudá-lo nessa caminhada.

Por fim, no segundo texto da série,  falarei de como lidar com o emocional e o diabetes.

Um abraço a todos.

Luciano Aparecido Marques