Despedida

Um adeus é tão grande

Que não cabe no tempo…

A forma se vai,

Mas a fagulha da essência

Fica aqui por perto…

Corrói a lembrança

Mas também faz sorrir…

Fica dentro da alma

Até a hora de partir…

Quando então ao encontro terno

De um abraço infinito

No regaço do Eterno

Onde tudo é mais bonito

A despedida deixará de existir.

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Luciano Aparecido Marques

Poema de Alfred Richardson

Alfred Richardson matou vários soldados na guerra e quase foi morto por alguns deles, mas ele sempre dizia aos amigos que só havia matado um homem que era ele mesmo.

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Eu matei apenas um homem

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Durante a guerra eu alvejei um soldado

Que caiu estatelado

Não durmo ao pensar

Que naquela escuridão ele morreu

E sempre me conforta saber

Da dura decisão:

Ou era ele ou era eu

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E da ação de tirar aquela vida

Um outro homem em mim nasceu

Hoje duro como pedra

A inocência em mim morreu

Eu soldado que na guerra

Sonhei com a liberdade

Mas no fim me tornei fera

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Hoje gozo a liberdade

E o sossego de rotina

Mas por dentro, na verdade

Meu sossego é uma mentira

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Custei a perceber

Na minha mente e no engano

Que o mal não era a guerra

Nem a gana de ser fera

Mas o caos de ser humano.

Trecho do livro: Alfred Richardson queria ir à guerra.

Luciano Aparecido Marques

Morte

Alegria, alegria de viver

Canto dos pássaros canoros

Soar estridente dos besouros

Fonte serena e inesgotável do ser

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Tudo isso percebe a alma do inquieto

Do caminhante passageiro no mundo

Aquele que não vê que é moribundo

Que da terra deseja ser o feto

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Ora, saibais que se não saíres do útero

Da mãe terra que te concebeu

Que do pó te modelou à sua vontade

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Como terás acesso ao futuro

E chegarás à morada de Deus?

Se a morte ao tempo certo é liberdade

Luciano Aparecido Marques